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domingo, 22 de agosto de 2010

Exus e Pomba Giras: Sete Catacumbas

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Maria Padilha Das 7 Catacumbas

Vativa ficou totalmente arrepiada quando ouviu o que a bruxa lhe disse: - Precisamos do sangue de um inocente! - Sua mente imediatamente focalizou a imagem de Yorg, seu pequeno filho de apenas três anos. Seus pensamentos vagaram por alguns instantes enquanto a mulher remexia em um pequeno caldeirão de ferro. Estava ali por indicação de uma vizinha que conhecia o problema pelo qual estava passando. Era casada, não tinha queixas do marido, mas de repente parece que uma loucura apoderou-se dela. Apaixonara-se por um rapazote de dezessete anos, ela uma mulher de trinta, bela e fogosa não resistira aos encantos do adolescente e sua vida transformou-se em um inferno. Já traira seu marido algumas vezes, mas desta vez era algo fora do comum, não conseguia conceber a vida longe do rapaz. Conversando com a vizinha, a quem contava tudo, esta aconselhou: - Vá falar com a bruxa Chiara ela resolve o assunto para você. - Pensou durante alguns dias e não resistiu, foi procurar pela feiticeira. O ambiente era horrível e a aparência da mulher assustadora, alta, muito magra, com apenas dois dentes na boca, vestia-se inteiramente de preto e fora logo dando a solução: - Vamos matar seu marido, aí você fica livre e se muda para outro povoado, bem distante, levando seu amante! - Vativa ficou assustada, não era essa a idéia. Não tinha porque matar seu marido. Não havia um jeito mais fácil? - De forma alguma, se o deixarmos vivo, quem morre é você! Mas não se preocupe eu cuido de tudo. - Foi aí que ela falou do sangue inocente. - A senhora está tentando dizer que tenho que sacrificar meu filho? - Para fazer omelete, quebram-se ovos... Vativa não estava acreditando, a mulher dizia barbaridades e sorria cinicamente. Levantou-se e saiu correndo apavorada.
A risada histérica dada por Chiara ainda ecoava em seus ouvidos quando chegou a casa. Desse dia em diante suas noites tornaram-se um tormento, bastava fechar os olhos para ver aquele homem todo de preto que a apontava com uma bengala: - Agora você tem que fazer! - Em outras ocasiões ele dizia: - Você não presta mesmo, nunca prestou! - Vativa abria os olhos horrorizados e não conseguia mais dormir. Uma noite, já totalmente transtornada com a aparição freqüente, saiu gritando pela casa. Ouvindo os gritos da mãe o pequeno Yorg acordou e desatou a chorar. Sem saber como, a faca apareceu em sua mão. - Cale a boca garoto dos infernos! - A lâmina penetrou por três vezes no pequeno corpo. Retomando a consciência não suportou a visão do crime cometido e caiu desmaiada. Na queda, a vela que iluminava o pequeno ambiente caiu-lhe sobre as vestes e em pouco tempo o fogo consumia tudo. Por muitos anos o espírito de Vativa vagou até conseguir a chance de evoluir junto a um grupo de trabalhadores de esquerda. Hoje todos a conhecem pela grandeza dos trabalhos que pratica na linha da guardiã Maria Padilha, mas se há uma coisa que ela odeia é relembrar o fato, por isso poucas vezes o comenta. Com posto garantido na falange do cemitério detesta ser lembrada para amarrações e perde a compostura quando há um pedido do gênero.


Saravá Maria Padilha das Sete Catacumbas

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

IMitologia iorubá :Origem



Mitologia iorubá

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A mitologia dos iorubás engloba toda a visão de mundo e as religiões dos iorubás, tanto na África (principalmente na Nigéria e na República do Benin) quanto no Novo Mundo, onde influenciou ou deu nascimento várias religiões, tais como a Santería em Cuba e oCandomblé no Brasil em acréscimo ao transplante das religiões trazidas da terra natal. A mitologia Iorubá é definida por Itans de Ifá.

Mito da criação

Na mitologia iorubá o deus supremo é Olorun, chamado também de Olodumare. Não aceita oferendas, pois tudo o que existe e pode ser ofertado já lhe pertence, na qualidade de criador de tudo o que existe, em todos os nove espaços do Orun.
Olorum criou o mundo, todas as águas e terras e todos os filhos das águas e do seio das terras. Criou plantas e animais de todas as cores e tamanhos. Até que ordenou que Oxalá criasse o homem.
Oxalá criou o homem a partir do ferro e depois da madeira, mas ambos eram rígidos demais. Criou o homem de pedra - era muito frio. Tentou a água, mas o ser não tomava forma definida. Tentou o fogo, mas a criatura se consumiu no próprio fogo. Fez um ser de ar que depois de pronto retornou ao que era, apenas ar. Tentou, ainda, o azeite e o vinho sem êxito.
Triste pelas suas tentativas infecundas, Oxalá sentou-se à beira do rio, de onde Nanã emergiu indagando-o sobre a sua preocupação. Oxalá fala sobre o seu insucesso. Nanãmergulha e retorna da profundeza do rio e lhe entrega lama. Mergulha novamente e lhe traz mais lama. Oxalá, então, cria o homem e percebe que ele é flexível, capaz de mover os olhos, os braços, as pernas e, então, sopra-lhe a vida.



Os Principais Orixas
Na mitologia iorubá, Olodumare também chamado de Olorun é o Deus supremo do povo Yoruba, que criou as divindades, chamadas de orixás no Brasil e irunmole na Nigéria, para representar todos os seus domínios aqui na terra, mas não são considerados deuses, são considerados ancestrais divinizados após à morte.

Orixas

Exu, orixá guardião dos templos, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.

  • Ogum, orixá do ferro, guerra, e tecnologia.
  • Oxóssi, orixá da caça e da fartura.
  • Logunedé, orixá jovem da caça e da pesca
  • Xangô, orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
  • Ayrà, usa cores brancas, tem profundas ligações com Oxalá.
  • Xapanã (Obaluaiyê/Omolu), Orixá das doenças epidérmicas e pragas.
  • Oxumarê, orixá da chuva e do arco-íris.
  • Ossaim, orixá das ervas medicinais e seus segredos curativos.
  • Oyá ou Iansã, orixá feminino dos ventos, relâmpagos, tempestade, e do Rio Niger
  • Oxum, orixá feminino dos rios, do ouro e amor.
  • Iemanjá ou Yemanjá, orixá feminino dos lagos, mares e fertilidade, mãe de todos os Orixás de origem yorubana.
  • Nanã, orixá feminino das águas das chuvas, dos pântanos e da morte, mãe de Obaluaiyê, Iroko, Oxumarê e Ewá, orixás de origem daomeana.
  • Yewá, orixá feminino do rio Yewa, senhora da vidência, a virgem caçadora.
  • Obá, orixá feminino do rio Oba, uma das esposas de Xangô juntamente com Oxum e Iansã.
  • Axabó, orixá feminino da família de Xangô
  • Ibeji, orixás gêmeos
  • Iroko, orixá da árvore sagrada (conhecida como gameleira branca no Brasil).
  • Egungun, ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
  • Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna.
  • Onilé, orixá relacionado ao culto da terra.
  • OrixaNlá (Oxalá) ou Obatalá, o mais respeitado Orixá, Pai de todos os Orixás e dos seres humanos.
  • Ifá ou Orunmila-Ifa, orixá da Adivinhação e do destino.
  • Odudua, orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
  • Oranian, orixá filho mais novo de Odudua.
  • Baiani, orixá também chamado Dadá Ajaká.
  • Olokun, orixá divindade do mar.
  • Olossá, orixá dos lagos e lagoas
  • Oxalufon, orixá velho e sábio.
  • Oxaguian, orixá jovem e guerreiro.
  • Orixá Oko, orixá da agricultura.

A Festa De Egun



Egum ou Egum-gum em Nagô, quer dizer Osso. Mas o seu significado é mais amplo, significando também “alma de pessoa morta”.

Assim, Egum, é o espírito de uma pessoa falecida. Por esta razão, não recebe o mesmo tratamento que um Orixá.

Os Caboclos e Pretos Velhos são Eguns, no entanto, embora espíritos de pessoas falecidas – índios de qualquer tribo ou africanos de qualquer nação.

No Candomblé, os Caboclos são recebidos, reverenciados e respeitados dentro dos terreiros. São espíritos de muita luz, que na sua rusticidade e simplicidade, são possuidores de grande luz espiritual, muita sabedoria e força. Na sua sabedoria, aparentemente ingénua, eles ensinam grandes verdades e dão conselhos sábios e dignos dos mais elevados Mestres.

Estes espíritos, apresentam-se nos terreiros durante as celebrações a eles dedicadas, porque esta foi a forma que escolheram de continuar a sua evolução, ajudando e trabalhando sempre em prol do bem.

Mas, o Egum, propriamente dito, é um espírito de outra categoria. Não desce em missão de trabalho. Muitas vezes, até inconscientemente, são prejudiciais ao próximo. Daí serem imediatamente afastados.

Por esta razão, a casa de Egum é sempre situada fora do terreiro de Candomblé.

Em alguns terreiros de Candomblé, realiza-se anualmente a festa para os Eguns, a alma dos Babalorixás, Yalorixás, ou Filhos de Santo do terreiro, já falecidos. São também nessa ocasião reverenciadas as almas dos Ogãs ou de pessoas que tenham exercido posição de destaque dentro do Ilê.

A Festa de Egum tem por finalidade, não só prestar-lhes uma homenagem, como ajudá-los a ocupar o seu lugar dentro da casa de Egum. Muitas vezes acontece que eles não se “compenetram” da sua condição. Normalmente, só ao fim de sete anos de morte, recebida a homenagem, é que eles ocupam o seu lugar.

A casa de Egum é indispensável em qualquer terreiro, embora possam não o festejar. Mas, devem ser servidos e tratados. É normalmente uma casa pequena, onde são colocados recipientes contendo alimentos. As louças usadas, de um modo geral, são louças quebradas, que simbolizam a vida que se partiu.

Não se faz festa de Egum dentro do terreiro, onde são festejados os Orixás. Estas festas são realizadas ao ar livre. Nessas ocasiões, geralmente, observa-se o fenómeno de materialização de alguns Eguns, daí a seriedade e responsabilidade da cerimónia realizada.

Como em qualquer outra cerimónia, a Festa de Egum também começa pelo Padê de Exú. Em seguida, canta-se para todos os Orixás, oferecendo cada um dos presentes, uma moeda por cada Orixá que é invocado, sendo estas colocadas numa panela de barro que se encontra no centro, e em torno da qual se canta e dança.

Terminados os cânticos para os Orixás, inicia-se então a Festa para Egum. Antes de iniciar os cânticos, todos os filhos da pessoa morta – para quem se vai cantar – devem voltar-se em direcção à casa de Egum e pedir licença a quem a “fez” no Santo.

Durante toda a cerimónia, os Ogês ou Anixás seguram uma vara listada de preto e branco, o Ixã, com o qual procurarão conter os Eguns, em caso de necessidade.

Ninguém pode sair antes de terminar a Festa de Egum, sob pena de poder ser prejudicado por Eguns que se encontrem na proximidade, sendo que isto também constituiria um acto de desrespeito a todos eles. Os Eguns são também os nossos antepassados, que devemos sempre respeitar

domingo, 4 de julho de 2010

Ervas e Orixas

ERVAS E ORIXÁS

o  obgetivo e apenas de passar informacoes , qualquer duvida por favor consulte seu mentor espiritual, pai mae de Santo ,,assim como para um remedio consultamos um MEDICO.
Oxalá
Urubatão da Guia ———— ——- Maracujá
Guaraci ———— ——— ——— — Girassol
Guarani ———— ——— ——— — Hortelã
Aymoré ———— ——— ——— — Louro
Tupi ———— ——— ——— ——– Arruda
Ubiratan ———— ——— ——— – Jasmim
Ubirajara ———— ——— ——— Erva- cidreira
Ogum Ogum de Lei ———— ——— ——– Romã
Ogum Rompe-Mato ———— —— Samanbaia
Ogum Beira Mar ———— ——— — Jurubeba
Ogum de Malé ———— ——— —– Cinco Folhas
Ogum Megê ———— ——— ——– Macaé
Ogum Yara ———— ——— ——— Losna
Ogum Matinata ———— ——— — Tulipa
OxossiArranca Toco ———— ——— —– Erva Doce
Cobra Coral ———— ——— ——- Parreira-do- mato
Tupynambá ———— ——— ——- Sabugueiro
Juremá ———— ——— ——— —- Erva-doce
Pena Branca ———— ——— —– Malvaísmo
Arruda ———— ——— ——— —– Malva-cheirosa
Araribóia ———— ——— ——— – Dracena
XangôXangô kaô ———— ——— ——— Limão
Xangô Pedra Preta ———— —– Goiaba
Xango 7 Cachoeiras ———— — Erva-tostão
Xangô 7 Pedreiras ———— —— Abacate
Xangô Pedra Branca ———— — Lírio da cachoeira
Xangô 7 Montanhas ———— — Alecrim do mato
Xangô Agodô ———— ——— — Fedegoso
YorimáPai Guiné ———— ——— ——— – Eucalipto
Pai Congo D´Aruanda ———— Sete-sangrias
Pai Arruda ———— ——— ——– Vassoura branca
Pai Tomé ———— ——— ——— – Alfavaca
Pai Benedito ———— ——— —- Trombeta
Pai Joaquim ———— ——— —– Guiné-pipiu
Vovó Maria Conga ———— —- Tamarindo
Yori
Tupãnzinho ———— ——— — Manjericão
Yariri ———— ——— ——— — Verbena
Ori ———— ——— ——— —— Capim-limão
Yari ———— ——— ——— —– Melão-de-São Caetano
Damião ———— ——— ——– Morango
Doum ———— ——— ——— – Amoreira
Cosme ———— ——— ——– Crisântemo
Yemanjá
Cabocla Yara ———— ——— — Panacéia
Cabocla Estrela do Mar ——— Pariparoba
Cabocla do Mar ———— ——– Picão-do-mato
Cabocla Indayá ———— ——– Manacá
Cabocla Yansã ———— ——— Folhas de violeta
Cabocla Nanã Burukum ——-Arruda fêma
Cabocla Oxum ———— ——— Quitoco

sábado, 26 de junho de 2010

Espiritualidade para nossos animais

Para nossos amigos fieisspiritualidade para cães e gatos

Templo de umbanda oferecerá passe espiritual para animais de estimação doentes e com alterações comportamentais

Da Redação

O templo de umbanda Cacique Thunan, localizado no Parque das Nações, em Bauru, inicia um atendimento diferenciado no próximo dia 6 de março. A partir dessa data, todo primeiro sábado do mês o templo realizará passes espirituais em cães e gatos de estimação.

De acordo com o dirigente espiritual e sacerdote do templo, Pai Ricardo Barreira, os animais são sensíveis e absorvem energias presentes nos ambientes e provenientes de seus proprietários, o que é capaz de lhes causar prejuízos à saúde e mudanças comportamentais. “Os animais são muito sensíveis a energias. Muitas vezes, quando o dono não está com uma energia boa, os bichos acabam ‘pegando para eles’ essa energia e sofrem alguns males. E no caso de uma energia mais densa ou que se prolonga por muito tempo, isso pode causar um mal físico, manifestando-se biologicamente”, afirma.

Nessa situação, Barreira apresenta o passe espiritual como medida para aliviar possíveis energias que estejam prejudicando os animais de estimação, funcionando como um tratamento espiritual. “Através do atendimento espiritual, buscamos proporcionar mais conforto e condições emocionais para os animais. Geralmente constatamos que, quando a energia da casa e das pessoas é melhorada, os bichos de estimação acompanham a melhora”, garante o dirigente espiritual e sacerdote que também é presidente da Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo “Reino de Oxalá”.

Frequentadora do templo do Pai Ricardo Barreira, Renata Ferreira de Lima realizou uma limpeza espiritual em sua casa e notou uma melhora de comportamento em sua cadela Angel. “A Angel não comia e parecia que estava com depressão, mas depois que o Ricardo (Barreira) foi em casa e realizou um passe para a limpeza espiritual, ela melhorou. Ficou parecendo que tem um ano de idade, totalmente feliz e brincando demais”, relata sobre a cadela que tem oito anos.

Ricardo Barreira afirma que a intenção do templo de umbanda é somar esforços na recuperação física ou comportamental de cães e gatos. “Temos um regulamento que instrui as pessoas para que os trabalhos saiam em harmonia com os animais. Entre os itens, o proprietário tem inclusive que assinar uma declaração na qual afirma estar ciente que o tratamento espiritual não dispensa o tratamento veterinário”, cita o dirigente espiritual e sacerdote de umbanda. “Não queremos que nenhum animal sofra por falta de atendimento veterinário”, garante.

Questionado sobre a expectativa da recepção do público bauruense, Ricardo Barreira disse saber o impacto que isso pode causar mas que, devido ao atual movimento de preservação do meio ambiente e proteção de animais, as pessoas devem entender a intenção deste atendimento especial. “Obviamente que tudo o que é novidade causa estranheza entre as pessoas, mas no tempo em que vivemos, de consciência sobre a preservação do meio ambiente e dos animais, as pessoas devem olhar com bons olhos. Temos que lembrar que natureza não se trata apenas de matas e rios, mas também de animais, e que a harmonia entre tudo isso é essencial no mundo atual”, esclarece o dirigente espiritual e sacerdote do templo de umbanda.

• Serviço
Mais informações pelo telefone 9784-0128.

FONTE: Jornal da Cidade
REGULAMENTO
CALENDÁRIO

Se você quer alguma informação que não foi colocada aqui,ligue para (14) 3232-3876.

Cultura Ioruba Povo Comerciante e Artista


CULTURA IORUBÁ POVO DE COMERCIANTES E ARTISTAS

CULTURA IORUBÁ POVO DE COMERCIANTES E ARTISTAS

Os Iorubá habitam o sudoeste da Nigéria, onde são entre 12 e 14 milhões, e o sul do Benin (cerca de 1 milhão). A maioria vive em cidades com mais de 20 mil habitantes. Uma das mais importantes civilizações da história africana.

Os reinos Iorubás floresceram ao sul do rio Níger. Suas origens encontram-se numa antiga população indígena que tinha como centro a cidade de Ifé. Depois chegaram os conquistadores, guiados por Oduduwa, o legendário antepassado fundador.
Os filhos de Oduduwa iniciaram as diversas dinastias Iorubás que se instalaram na região entre os anos 600 e 900 da nossa Era, provenientes provavelmente do Alto Nilo.
Alguns especialistas afirmam que a cultura Iorubá tem parentesco com a egípcia, e outros, com a da Núbia. Ambas as opiniões consideram também a possibilidade de que, através da Abissínia (região onde fica a atual Etiópia), a cultura Iorubá tenha parentesco com a helenista.
Há, por fim, os que sustentam que Ifé, cidade santa dos Iorubá, seja Ufa, a cidade mencionada na bíblia onde os fenícios adquiriam ouro a pedido do rei Salomão.
Até hoje, no entanto, nenhuma das hipóteses foi comprovada.

 
MUNDO COMEÇA EM IFÉ, A CIDADE SAGRADA
Capital do primeiro reino, Ifé alcançou rapidamente um notável desenvolvimento religioso e político, desempenhando numerosas funções no seio dos diversos reinos Iorubás, especialmente no campo espiritual.
Ifé atingiu o auge do resplendor entre os séculos 12 e 14. Seu apogeu foi no século 13. A partir do século 14, deixa de ser o centro político da potência Iorubá, mas continua a exercer o papel de cidade santa.
O rei de Ifé é considerado o pai de todos os reis Iorubás. A cidade é ainda capital do reino originário e, segundo se acredita, constitui o centro da terra. Ali, a terra teria começado a se formar e ali teria descido a divindade pai - ou mãe - de todos os viventes para fundar e reinar sobre "sua" primeira cidade.
De fato, um mito mesclando história e lenda afirma que Oduduwa, o ancestral divino de todos os Iorubá, desceu do céu e depositou sobre as águas um pouco de terra e uma galinha. Esta, ao ciscar, lançou terra em diversas direções. É assim que, ao redor de Ifé, o mundo começou a ser criado.
Não é de se estranhar, portanto, que os Iorubá tenham como centro de sua religiosidade um Deus criador e que possuam um forte sentido da constante presença divina em sua vida cotidiana. O que não os impede, no entanto, de seguir uma religião politeísta, com sociedades iniciáticas secretas nas quais se celebravam festas com sacrifícios humanos.
Isso explica também o motivo de, ainda hoje, os Iorubá serem muito religiosos, embora pluralistas no que diz respeito a que religião praticar. Há, por exemplo, famílias nas quais o pai é muçulmano, a mãe segue a religião tradicional e os filhos são católicos ou protestantes.
 
OBRAS DE ARTE DA MELHOR QUALIDADE
A história da região ocupada pelos Iorubá é particularmente interessante. Estados e impérios se formaram na faixa entre o deserto e a grande selva, favorecidos pela abundância de água e de outros recursos naturais. E também pelo fato de ser rota obrigatória de pessoas e mercadorias provenientes dos desertos do norte em direção ao oceano.
Ifé, ainda em tempos antigos, logo se transformou em terra de intensos intercâmbios comerciais e em berço de uma civilização florescente. Seus artistas utilizavam a arte para celebrar e transmitir valores considerados essenciais.
A arte de Ifé, tipicamente ligada à corte, cria máscaras, cabeças e figuras de bronze, latão ou barro cozido, carregados de valor vital e modelados com tal sensibilidade, habilidade técnica e forma que chegam quase a atingir a perfeição absoluta.
Numerosos estudos arqueológicos da região oferecem testemunhos artísticos que não ficam devendo nada às culturas clássicas de qualquer outra região do mundo. As cabeças de bronze e as peças de cerâmica de Ifé, bem como os soldados de bronze de Benin - reino antigo que não deve ser confundido com o país que hoje leva este nome -, figuram entre as obras-primas da arte mundial.
Tudo leva a crer que as peças de bronze sejam retratos mais ou menos idealizados de grandes personagens, feitos após a sua morte e utilizados em cerimônias fúnebres ou comemorativas. A arte Iorubá se desenvolveu a partir do século 14, tendo seu momento de máximo esplendor entre 1575 e 1650.
 
MODELO DE ORGANIZAÇÃO DURA SÉCULOS
Os tecidos de ráfia e algodão, as jóias de ouro, as cerâmicas decoradas e as grandes e populosas cidades eram características de uma civilização eminentemente urbana. Seu eixo econômico e militar estava assentado sobre o uso do cavalo, que foi introduzido a partir do norte do continente.
A unidade política da região se baseava na suposta unidade mítica originária de todos os Iorubá. Estes constituiriam, assim, uma grande família, dirigida por chefes religiosos e sociais.
Na sociedade, cada Iorubá tinha seu lugar respeitado e sua função definida, sem problemas. Prova disso é que esse modelo de organização social durou séculos.
Sem dúvida, os distintos Estados Iorubás possuíam diferenças em termos de formas de governo. No Estado de Oyo, considerado modelo das estruturas político-militares Iorubás, o rei - Alafin - governava com poderes semelhantes aos de uma divindade. Era escolhido entre os sucessores por um conselho de sete sábios - os Oyo Mesi -, que exerciam a função de ministros.
Em Ifé quem mandava era o rei - Oni -, assessorado pelos Obá (chefes). A posição que cada chefe ocupava dependia da suposta data de fundação de sua respectiva comunidade.
Oni representava o ponto mais alto de toda autoridade política e religiosa, por ser descendente direto do Herói Primeiro, Oduduwa, que era, por sua vez, instrumento do Ser Supremo. Mesmo tendo vida autônoma, as diversas comunidades tributavam homenagens à supremacia de Oni.
Em Benin houve um período de administração republicana e, em seguida, uma dinastia de reis originários de Ifé. Por volta de 1485-86, sob o reinado de Oba Ozolua, chegou a Benin um português, Alfonso de Aveiro, o qual, ao retornar a Lisboa, levou consigo um embaixador de Oba. Tiveram início, assim, relações comerciais estáveis entre os dois países. 

POVO HÁBIL NA ARTE DE COMPRAR E VENDER
Sendo a cultura Iorubá tipicamente urbana, a organização do Estado repousa sobre as cidades. A casa Iorubá possui planta retangular, com uma entrada simples que dá acesso a um pátio interior, ao redor do qual há várias habitações. Os pátios cobertos sustentam-se sobre pilares, geralmente decorados. Nas casas dos chefes e nos palácios, os pilares são esculturas de figuras humanas. O vestuário dos homens é formado por três peças: calça, camisa e uma espécie de túnica, usada como capa. Já as mulheres vestem blusa e envolvem as costas com uma peça de tecido. Tanto mulheres como homens cobrem a cabeça. As mulheres, com lenços muito vistosos. Os homens, com gorros típicos.
A vida social é um dever do qual ninguém imagina ser possível escapar. Famosos por seu grande tino para negócios, os Iorubá são mercadores natos, que compram e vendem de tudo. Moram na cidade, mas voltam sem problemas a seus férteis campos na época do trabalho agrícola.
 
CULTURA IORUBÁ SOBREVIVE À DESTRUIÇÃO
A decadência da civilização Iorubá teve início no final do século 17 e começo do 18, com guerras fratricidas, a chegada dos europeus, o tráfico de escravos e a pressão exercida pelo povo peul. De religião muçulmana, os Peul acabaram com a prosperidade agrícola e comercial da região.
Em 1897, os soldados britânicos arrasaram a cidade de Benin e se apoderaram das melhores obras de arte.
Tendo sido arrancados de sua terra para trabalhar como escravos no Novo Mundo, os Iorubá trouxeram consigo toda a enorme riqueza de sua cultura. Foi assim que legaram como herança a este continente a música afro-americana, o bluesdos Estados Unidos e o carnaval do Brasil.
Escreve Kevin Carrol: "Os estudiosos afirmam que uma arte não pode ser adaptada a outra fé, já que cultura e religião formam um todo unitário. Trata-se de uma visão muito estreita. As grandes culturas africanas não são plantas frágeis, que morrem ao serem tocadas. Podem, pelo contrário, adaptar-se e absorver novas influências".
A cultura Iorubá demonstrou toda sua força ao aceitar a fé cristã e produzir arte, ritos e músicas que, sem deixar de serIorubás, são também profundamente cristãos.
 
RAÍZES DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS
As religiões afro-brasileiras têm suas raízes em duas importantes culturas africanas: BANTU e YORUBÁ.
A cultura bantu predomina em grandes espaços do território africano. Um terço da população negro-africana é banto. Como grupo lingüístico e cultural, o bantu se estende da República dos Camarões até o sul do continente, incluindo Angola e Congo.
Dos antigos territórios desses dois países foi trazido um grande número de escravos para o Brasil, sobretudo para o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Moçambique e toda a região sul da África é também de cultura banto.
Os elementos fundantes das religiões afro-brasileiras, porém, procedem das culturas sudanesas, sobretudo os chamados de “nagô” (corruptela de ANAGO – como eram chamados os escravos YORUBAS quando aqui chegaram, e que quer dizer, sujos, maltrapilhos). A contribuição Yoruba (nagôs) constitui praticamente a base dessas religiões.
Os Nagô - ou Iorubá - fazem parte do grupo cultural sudanês, que ocupou tradicionalmente a região do Daomé, Nigéria e Sudão, toda uma área que vai do Oceano Atlântico, a chamada Costa dos Escravos, até os limites do Egito.
Entre os sudaneses se destacaram, além dos Yorubás “Nagô”, os Gêge (corruptela de Djedje = estrangeiros), os Fanti-ashanti (negros-mina) e os Haussá, de culto islamizado. Todos contribuíram para a confecção desse vasto tecido religioso, ainda que os Haussá tenham sido fortemente reprimidos no século passado, chegando quase à extinção.
Sudaneses e banto, entrando no Brasil, misturaram-se em consideráveis proporções, resultando em cruzamentos biológicos, culturais e religiosos.
Já os Yorubas, ou “Nagô” reconstruíram suas práticas religiosas de origem com grande sucesso e fidelidade. O culto Yorubá - a religião dos orixás - está presente sobretudo na Bahia, onde mantém e preserva suas raízes africanas.

Reprodução livre, desde que citadas a fonte e a autoria
***Texto retirado da lista Ipade. Texto de Miguel Solon.

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