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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Salve Obaluae - Salve O Senhor dos Misterios


Salve ! Obaluae 


Obaluaê é uma flexão dos termos: Oba (rei) – Oluwô (senhor) – Ayiê (terra), ou seja, “Rei, senhor da Terra”. Omulu também é uma flexão dos termos: Omo (filho) – Oluwô (senhor), que quer dizer “ Filho e Senhor”. Obaluaê, o mais moço, é o guerreiro, caçador, lutador. Omulu o mais velho, é o sábio, o feiticeiro, guardião. Porém, ambos têm a mesma regência  e influência. No cotidiano significam a mesma coisa, têm a mesma ligação e são considerados  a mesa força da natureza.
Obaluaê (ou Omulu) é o Sol, a quentura e o calor do astro rei. É o Senhor das pestes, das moléstias contagiosas, ou não. É o rei da Terra, do interior da Terra, e é o Orixá que cobre o rosto com o Filá (de palha – da - Costa), porque para os humanos é proibido ver seu rosto, pela deformação feita pela doença, e pelo respeito que devemos a este poderosíssimo Orixá.
Obaluaê está no organismo, no funcionamento do organismo. Na dor que sentimos pelo mal funcionamento dos órgãos, ou por uma queda, corte ou queimadura.
Obaluaê rege a saúde, os órgãos e o funcionamento destes. A ele devemos nossa saúde e é comum, nas Casas de Santos, se realizar os Eboris de Saúde, que fazem pra trazer saúde para o corpo doente.
O órgão central da regência de Obaluaê é a bexiga, mas está ligado a todos os outros. Ele trata do interior, fundamentalmente, mas cuida também da pele e de suas moléstias.
Divide com Iansã a regência dos cemitérios, pois ele é o Orixá que vem como emissário de Oxalá (princípio ativo da morte), para buscar o espírito desencarnado. É Obaluaê (ou Omulu) que vai mostrar o caminho, servir de guia para aquela alma.
Obaluaê também é o Senhor da Terra e das camadas de seu interior, para onde vamos todos nós. Daí a ligação que tem com os mortos, pois ele é quem vai cuidar do corpo sem vida, e guiar o espírito que deixou aquele corpo. É por isso que Obaluaê e Omulu gostam de coisas passadas, apodrecidas.
O sol também tem a sua regência. Ele também é o Calor provocado pelo sol quente. Há quem diga que não se deve sair à rua quando o Sol está quente sem a proteção de um patuá, a fim de não correr o riscos e não sofrer a ira de Obaluaê, geralmente fatal.
Obaluaê está presente em nosso dia-a-dia, quando sentimos dores, agonia, aflição, ansiedade. Está presente quando sentimos coceira e comichões na pele.Rege também o suor, a transpiração e seus efeitos. Rege aqueles que tem problemas mentais, perturbações nervosas e todos os doentes.
Está presente nos hospitais, casa de saúde, ambulatórios, postos de saúde, clínicas, sempre próximo aos leitos. Rege os mutilados, aleijados, enfermos. Ele proporciona a doença mas, principalmente, a cura, a saúde. É o Orixá da misericórdia.
Obaluaê é à força da Natureza que rege o incômodo de um modo geral. Rege o mal estar, o enjôo, o mal humor, a intranqüilidade. É o Orixá do abafamento e está presente nele, bem como na má digestão e na congestão estomacal. Gera o ácido úrico e seus efeitos.
Obaluaê está presente em todas as enfermidades e sua invocação, nessas horas, pode significar a cura, a recuperação da saúde.

Mitologia
 Filho de Nanã – que abandonou por ser doente – foi criado por Iemanjá. É o irmão mais velho de Ossãe, Oxumarê e Ewá; Orixá fundamentalmente Jeje, mas louvado em todas as nações, por sua importância.
Conta-se que, uma vez esquecido por Nanã, fora criado por Iemanjá, que curou das moléstias. Cresceu forte, desenvolveu a arte da caça, tornando-se guerreiro e viajante.
Certo dia, numa de suas jornadas, chegou até uma aldeia, coberto de palha, como sempre viveu. Como todos conheciam sua fama, suas ligações com as moléstias contagiosas, foram barradas antes mesmo de penetrar na aldeia.
-Não o queremos aqui! -  disse o  dirigente da tribo.
- Mas quero apenas água e um pouco de comida, para prosseguir minha viagem. Apenas isso! – respondeu Obaluaê, ou melhor, dizendo Xapanã, nome pelo qual era chamado.
- Vá-se embora, Xapanã! Não precisamos de doença, nem de mazelas em nossa aldeia. Vá procurar água e comida em outro lugar!
E Xapanã, então foi sentar-se no alto do morro próximo. A manhã mal começara e ele ficou, sentado, envolto em palha da costa, observando a subida do sol.
O tempo foi passando, as horas foram-se passando e, ao meio-dia, exatamente, o Sol já escaldante, tornou-se insuportável. A água ficara quente, o alimento se estragava e toda a tribo se contorcia de dor, aflição e agonia. Xapanã a tudo observava, imóvel, como um totem, como um símbolo de palha.
Na aldeia um alvoroço se fez. Uns tinham dores na barriga, outros tinham forte dores de cabeça. Outros, ainda, arrancavam sangue da própria pele, numa coceira incontrolável. Outros agiam como loucos incontrolados. Aos poucos, a morte foi chegando para alguns.
Xapanã apenas assistia...
Parecia que o tempo havia parado ao meio-dia, mas, na verdade, foram três dias de sol quente, pois a noite não chegava. Era apenas sol durante todo o tempo. E durante todo o tempo a aldeia viu-se às voltas com doenças, loucura, sede, fome, morte!
Xapanã, inerte, via tudo, imóvel...
Não agüentando mais, e vendo que Xapanã continuava do alto do pequeno morro observando, o dirigente de aldeia foi até ele suplicar perdão, atirando-se aos seus pés.
- Em nome de Olorun, perdoe-nos! Já não suportamos tanto sofrimento! Tente perdoar, por favor, Senhor Xapanã! Tente perdoar!
De súbito, Xapanã levantou-se, desceu até a aldeia e pisou na terra. Tornou-a fria. Tocou na água, tornou-a também fria; tocou os alimentos e tornou-os novamente comestível; tocou a cabeça de cada um dos aldeões e curou-lhes a doença; tocou os mortos e fez voltar a vida em seus corpos.
Restaurada a normalidade, Xapanã pediu mais uma vez:
-Quero um pouco de água e alguma comida para prosseguir viagem.
Num instante foi-lhe servido o que de melhor havia em toda a aldeia. Deram-lhe, vinhos de palmeira, frutas, carne, legumes, cereais, enfim, o que tinham de melhor.
Voltando-se para os aldeãos, Xapanã deu-lhes uma lição de vida.
-Vivemos num só mundo. Sobre a mesma terra, debaixo do mesmo sol. Somos todos irmãos e devemos ajudar uns aos outros, para que a vida seja mantida. Dar água a quem tem sede, comida a quem tem fome é ajudar a manter a vida.
Voltou-se e partiu. Atrás dele o povo da aldeia gritava:
-Xapanã, Rei  e Senhor da Terra! Xapanã, Obaluaê! Xapanã, Obaluaê! Xapanã, Obaluaê!
Obaluaê que sua benção e proteção nos seja dada sempre!.

Dados
Dia: segunda feira
Data: 13 ou 16 de agosto;
Metal: chumbo;
Cor: preto e branco  e ou preto, branco e vermelho;
Partes do corpo: a pele e os pulmões;
Comida: deburú  (pipoca), abadô (amendoim pilado e torrado), Iatipá (folha de mostarda) e ibêrem (bolo de milho envolvido na folha de bananeira);
Arquétipo: sóbrios, reservados, generosidade destacada,  geniosos, independentes, teimosos, tendência ao masoquismo.
Símbolos: xaxará ou íleo (com que limpa as doenças e os males espirituais)

sábado, 4 de agosto de 2012

axexe



Postado por:Marcelo Alban
Fase preparatória: Desde que o falecimento de uma adósù do "terreiro" é conhecido, procede-se a levantar um pequeno recinto provisório, coberto de folhas de palmeira, junto ao Ilé-ibo-akú. A Iyálàse, secundada por outra sacerdotisa, procede ao levantamento ritual dos "assentos" individuais pertencentes à falecida assim como todos seus objetos sagrados e tudo é depositado no chão no recinto provisório, distante dos Ilé-orixá. As quartinhas que continham água são esvaziadas e emborcadas.
Axexé os cincos primeiros dias: O ritual Axexé dura sete dias consecutivos. Durante os cincos primeiros dias as mesmas cerimônia se repete exatamente, segundo a seguinte seqüência:

a) Todos os membros do egbé, rigorosamente vestidos de branco, reúnem-se, no barracão, ao pôr-do-sol, para celebrar o Padê tal qual o descreveremos. No inicio, o espírito do morto é invocado junto com Exú e todas as entidades.

b) Terminado de cantar o Padê, o egbé coloca-se em volta da cuia vazia que ocupa o centro da sala, deixando sempre uma passagem de saída para o exterior. Neste momento, um dos sacerdotes, encarregados do ritual que se vai desenrolar no Ilé-akú e no recinto exterior onde foram depositados os "assentos" e os objetos da falecida, traz uma vela, coloca-a ao lado da cuia e ascende.

c) Todos os que estão presentes enrolam suas cabeças com torços brancos e cobrem cuidadosamente o corpo com um grande oja branco. No momento em que se ascende a vela, supõe-se que o espírito do morto se encontre na sala representado pela cuia. Um logo rito vai desenrola-se, começando pela Iyálorixa, seguida em ordem hierárquica por cada uma sacerdotisa de grau elevado e finalmente por um grupo de dois a dois das noviças. Cada uma saúda o exterior, a cuia os presentes e dança em volta da cuia colocando moedas que passam previamente por sua cabeça, delegando sua própria pessoa ao morto. Ao mesmo tempo despede-se do morto, com cantigas apropriadas.

A primeira cantiga entoada pela Iyálorixa é uma reverensa a todos os Axexé que, como dissemos, são os primeiros ancestrais da criação, o começo e a origem do universo, de uma linguagem, de uma linhagem, de uma família, de um "terreiro". A venerável morta a Adosun que merece essa cerimônia e é seu objeto converter-se-á também num Axexé. A Iyalase saúda: Axexé, Axexé o!;

1. Axexé, mo juga; Axexé, Axexé o!;

2. Axexé o ku Agbà o!; Axexé, Axexé o!; 3. Axexé, érù ku Àgbà o!; Axexé, Axexé o! Tradução: Axexé oh! Axexé; Axexé eu lhe apresento meus humildes respeitos oh!; Axexé oh! Axexé; Axexé eu venero e saúdo os mais antigos, oh!; Axexé oh! Axexé; Axexé a escrava saúda os mais antigos, oh!; Axexé oh! Axexé. É o seguinte o texto da Segunda cantiga: Bibi bibi lo bi wá; Ode Arolé lo. Tradução: Nascimento do nascimento que nos trouxe Ode Arolé (Òsôsi) nos trouxe ao mundo. Saudando particularmente Oxossi que, como já dissemos, é o ancestre mítico fundador dos "terreiros" Ketu e consequentemente, Axexé do filhos do "terreiro". Todos os presentes estão obrigados a despedir-se do morto e delegar-se nele por meio das moedas que colocam na cuia-emissario.

a) Quando todo os presentes protestaram suas homenagens e despediram-se do morto, formam uma roda e todo o egbé e os parentes do morto entoam, entre outras, a cantiga: Ò tó "rù egbé ma sokún omo ò tó "rù egbé ma sokún omo égun ko gbe eyin o! Ekikan ejare àgbà Orixá gbe ni másè ekikan esin enia niyi r"òrun Tradução: Ele alcançou o tempo (de converter-se) no érù egbé (o carrego que representa o egbé). Não chore, filho. Oficiante do rito, não chore. Alcançou o tempo (de converter-se) no carrego (no representante) do egbé. Não chore, filho. Que Égun nos proteja a todos! Proclamai o que é justo. Que Àgbà Orixá nos proteja a todos! Proclamai (que) foi enterrado um dos seus, que foi para o òrun. (isto quer dizer, falai alto, com justa razão, porque enterram alguém venerável que irá ao òrun). A roda se desfaz e cada um volta para seu lugar.

b) algumas adósù trazem vasilhas com comidas especialmente preparadas para essa ocasião e as colocam ao lado da cuia. Junto também é colocado um obì.

c) Os sacerdotes vêm e levantam ritualmente a cuia cheia de moedas, apagam a vela e transportam tudo, também obì. e as comidas, para o recinto especial exterior, onde tudo é colocado junto aos objetos que pertenceram ao morto.

d) Os membros do egbé na sala, descobrem suas cabeças, enrolam o pano branco por de baixo dos braços e formam uma Segunda roda, saudando e homenageando os orixás. Acaba essa parte da cerimônia, eles se cobrem novamente e continuam a roda cantando uma última cantiga de adeus ao morto.

3. Axexé: sexto e sétimo dias: o ritual do sexto e sétimo dias é o ponto culminante do ciclo. No crepúsculo canta-se o Padê e continua-se como nos dias precedentes até a fase. Seguem-se os seguintes ritos:

a) Ao pé das comidas e do obì colocam-se, ao lado da cuia, os animais que vão ser oferecidos de acordo com o asé do morto.

b) Um sacerdote vem do exterior e põe no punho esquerdo de todos os assistentes pequenas tiras de màrìwò. É isso que os identifica como filhos do "terreiro" e os protege.

C) Os membros do egbé retomam seus lugares e esperam ser avisados do fim do rito que se desenrola do Ilé-ibo.

d) Nesse meio tempo, os sacerdotes preparam o chamado final do morto. Trazem tudo, "assentos", objetos pertencentes ao morto, cuia, comidas e animais para o Ilé-ibo-akú. Traçam no solo de barro batido um pequeno círculo com areia e por cima, um círculo com cada uma das três cores símbolos. É um ojúbo provisório, em que se invoca o morto. No meio dele, parte-se o obì e, com seus segmentos, consulta-se o oráculo sobre a destinação a ser dada a cada um dos objetos e "assentos" do morto. Se trata de uma sacerdotisa de grau elevado, às vezes acontece que o "assento" de seu orixá fique no "terreiro" para ser adorado, com a condição de que o morto, consultado, esteja de acordo. Também pode querer deixar alguns objetos de uso pessoal, determinadas jóias ou emblema a um parente ou a uma irmã do "terreiro". O resto, o que o morto não deixa para ninguém, em especial seu Bara, seu Ìpòrí, é posto em volta do pequeno círculo assim como as três vasilhas novas de barro, que descreveremos falando do "assento" dos Égun das adósù. Se o morto pertence à cúpula do "terreiro" ou possui méritos excepcionais, as três vasilhas são separadas para se proceder mais tarde a seu "assentamento" no Ilé-ibo-akú. Caso contrário, que é a maioria, as três vasilhas são colocadas junto aos que circundam o círculo-ojúbo. O sacerdote do grau mais elevado invoca o morto três vezes, batendo no solo com um ìsan novo preparado com uma grossa tala de palmeira. Invoca-se para que venha apanhar seu carrego, para que leve e se separe para sempre do egbé e do "terreiro". Insiste-se e, na terceira invocação, o morto responde e simultaneamente tudo é destruído, quebrado com ìsan, rasgando-se vestimentas e colares. Os animais são imolados e colocados por cima dos restos destruídos, onde se coloca partes das moedas que se esparramaram ao quebrar a cuia, e os màrìwò que, retirados dos punhos irão juntos com os despojos do morto. Coloca-se por cima o punhado de terra, com a areia e as três substâncias cores recolhidas oportunamente. Um grande carrego é preparado: é o erù e sacerdotes levarão a perigosa carga especificado pelo oráculo para que Exu e Eleru disponha dele.

e) Um sacerdote previne o egbé que, em silêncio, esperava na sala. Todos se levantam a saída do erù-ikù: Gbe "rú le mã lo a fi bo Tradução: o carrego da casa está saindo cubram-nos.

f) Todos os participantes esperam em silêncio a volta dos sacerdotes que, ao seu regresso, irão, em primeiro lugar, prestar conta de sua missão aos ancestrais no Ilé-ibo-akú. Em seguida, virão à sala para comunicar o feliz término de sua missão. O egbé forma uma roda, canta saudando os orixás, e dois cantos finais despedindo-se do morto. Iku o! Iku o gbe lo o gbe, dide k" o jo eku o! òdigbõse o! Oh! Morte, morte o levou consigo ele partiu, levantem-se e dancem, nós o saudamos! Adeus! No entardecer do sétimo dia, canta-se o Padê de encerramento e, em seguida, procede-se ao sacudimento, isto é, a lavar, varrer e sacudir todos os Ilé e a sala, com ramos de folhas especiais. O asé da adósù passou a integrar o do "terreiro". Se a pessoa falecida é a Iyálàse, deverá proceder-se a "retirar" sua mão de todos os objetos, todos os borí, celebrada pela Iyálàse substituta. Durante esse rito, ela pousará a mão sobre o orí de cada um dos membros do egbé, transferindo-lhes seu próprio asé. Se o grau da adósù falecida o permite, e se a resposta do oráculo o confirma, uma vez preparado o carrego, o ibo desta será preparado ritualmente com três vasilhas novas de barro. Um àpéré especialmente aprontado com uma combinação de folhas apropriadas é colocado diretamente sobre a terra no Ilé-ibo no lugar em que será implantado o "assento" formado com três recipientes; coloca-se junto uma quartinha com água e tudo é recoberto com um pano branco. Cumprindo um ano, uma oferenda espacial será feita e a sacerdotisa falecida passará a fazer parte dos mortos e dos ancestrais venerados no Ilé-ibo-akú, Axexé protetores do "terreiro". Uma cantiga entoada na terra Yorùbá diz: Ìyá mi, Axexé!; ba mi, Axexé!; Olórun un mi Axexé o o! ki ntoo bò orixá à è. Tradução: Minha mãe é minha origem!; Meu pai é minha origem!; Olórun é minha origem!; Consequentemente, adorarei minhas origens antes de qualquer outro orixá. E no "terreiro" invoca-se: Gbogbo Axexé tinu ara. Todos (o conjunto dos) Axexé no interior de nosso corpo...(do "terreiro"). Se Axexé, não há começo, não há existência. O Axexé é a origem e, ao tempo, o morto, a passagem da existência individual do àiyé à existência genérica do òrun. Não há nenhuma confusão entre a realidade do àiyé " o morto " e seu símbolo o seu doble no òrun - o Égun. Há um consenso social, uma aceitação coletiva que permite transferir, representar e simultânea do àiyé e do òrun, a vida e da morte. O asé integrado pelos três princípios-símbolos e veiculado pelo princípio de vida individual manterá em atividade a engrenagem complexa do sistema e, através da ação ritual, propulsionará as transformações sucessivas e o eterno renascimento.

domingo, 1 de julho de 2012

Atiwaye Ojo : Origem dos Dias


Atiwaye Ojo: Origem dos Dias

Por: Araba Ifayemi Elebuibon
Ojo é a palavra iorubá para dia.
A religião dos iorubas do sudoeste Nigreia é o òrìsá.
A palavra “òrìsá” significa “aqueles cujas cabeças foram criadas, os maiores e superiores desde então.”
Cada uma dessas divindades são os ministros de Deus (Olodumare) e a palavra do Deus Todo-Poderoso.
Eles são chamados de òrìsá (Eni ti ori sa da).
No começo, os seres humanos não tinham nomes para os dias.
Era Obatalá (divindade do arco, Deus da Criatividade), que foi a Olodumaré para obter os dias da semana para todo o resto dos òrìsá.
Foi Òrúnmìlá, quem estabeleceu os dias, daí um dos Odus recitou:
Ifa loni oni
Ifa loni ola
Ifa loni ojo mereerin Oosada
É Ifa quem possui o hoje
É Ifá quem possui o amanhã
É Ifá quem possui os quarto dia que òrìsá fez na Terra.
Em um parágrafo de um oriki de Obatalá uma de suas filhas perguntou:
Podemos saber o nome dos dias?
Obatalá diz:
Tire um dia da semana para Òrìsáala
Escolha um outro dia para Ogun
Faça um outro dia para Jakuta (Sango)
O dia restante é do Awo (Òrúnmìlá) ou dia do Segredo.
Foram apenas quatro dias que Obatalá trouxe do òrun para o mundo com as 401 divindades.
Obatalá distribuiu os dias entre os outros òrìsá, Ogun, Sango e Ifá, enquanto ele escolheu um dia para si.
O resto dos Òrìsá, por conseguinte, tinham que partilhar os outros dias, por exemplo:
O dia da semana (Ose Ifa) é o mesmo dia para Osun.
Obatalá divide seu dia com Egungun (espíritos ancestrais), Aje, Ìyàmi, Elegbara e etc.
Cinco dias é a semana do calendário tradicional dos iorubás, não contando o primeiro dia, você tem quatro dias.
Vinte e nove dias faz um mês. que é quando a lua está cheia.
A lua passa quinze dias sobre a terra e quinze dias no céu.
A semana de sete dias.
Ojo Aje (segunda-feira) – é o dia em que o dinheiro entrou com o òrìsá na terra e é conhecido como o dia do dinheiro. Os Iorubás usam esse dia para iniciar negócios e discutir programas econômicos e sociais.
Ojo Isegun (terça-feira) – É o dia da vitória. Este é o dia em que  todas as forças do mal estão dominadas. É um bom dia para começar qualquer coisa que leve a uma melhor qualidade de vida.
Ojoru (Quarta) – É o dia que o problema entrou no mundo. É o dia de confusão.
Ojoba (Quinta) – É o dia em que os nomes dos dias chegaram.
É um dia em que os Antepassados visitam a família.
É por isso que cada festival importante (Oro Órìsá) começa na quinta-feira, Ojobo.
Ojo eti (sexta-feira) – É o dia do adiamento.
Acredita-se que tudo o que as pessoas tenham que fazer neste dia deve ser adiado ou então ele seria um fracasso.
É por isso que as viagens de negócios  não começam neste dia.
Abameta (Sábado) – Viés talvez os mesmos atributos de Ojo Eti.
A fim de evitar três tipos de incidentes negativos, os iorubas não usam o sábado para enterrar uma pessoa, a menos que a pessoa seja um ancião.
Ojo Oiku (domingo) – Ojo Ariku também conhecidas como Ojo Isinmi é o dia do descanso é o dia que Òrúnmìlá enterrou Imi, a mãe de Esu Odara.
(veja As Aventuras de Obatalá Vol 1. Yemi Elebuibon para mais informações). Neste dia as pessoas do mundo solicitaram imortalidade (aiku) a Olodumaré. Òrúmìlá, um confidente de Olodumarè se recusou a fazer propiciação, ele era incapaz de trazer a imortalidade (aiku) para todos os habitantes da Terra, então as pessoas tiveram que morrer.
Neste dia não foi concedido a imortalidade ao povo.
Felizmente, a morte prematura pode ser prevenida fazendo sacrificio e usando a medicina de Ifá. (Elebuibon 1989;. Pg 11).
Texto Complementar.
Odu Oturupon’Otura diz:
Alakoneri (um sonho não tem nenhuma testemunha), o adivinho de Alárá.
Uma pessoa não se comporta inquietamente e implora aos pés de outro homem para mover inquietamente.
Esta era à base de adivinhação para Òrúnmìlá que ia implorar pela luz do dia (Sol) de Olódùmarè (Deus) de forma que ele poderia ter poder sobre o sol.
Disseram-lhe que oferecesse dezesseis caracóis, dezesseis galinhas, dezesseis cabras e três mil e duzentos búzios.
Òrúnmìlá obedeceu e ofereceu.
Então Olódùmarè disse que ele não poderia ter controle da luz do dia, mas, o deixaria saber os nomes dos dias e as coisas que são muito satisfatórias para fazer nesses dias.
Notificação:
•Òrìsà-nlá foi o primeiro a escolher um dia.
•Òrúnmìlá escolheu o segundo.
•Ògún escolheu o terceiro.
•Sàngó escolheu o quarto.
Estes quatro dias são os dias para todos os adoradores de Òrìsà na terra Yorùbá: Ijebu, Egbá e assim por diante.
Então, há quatro dias na semana.
Mas nossos pais diziam que eles adoravam os seus Òrìsà a cada cinco dia; é os quatro dias que eles chamam de cinco dias.
Para unificar os dias destes Òrìsà, os dias de mercado de todas as terras ou cidades mencionadas de Ilé-Ife são cada quatro dias que se faz uma semana.
Em outra forma, nossos pais têm outros sete dias com os seus significados:
•O dia da imortalidade.
•O dia da deusa das riquezas.
•O dia da vitória.
•O dia abre a porta e sai.
•O dia do retorno do sol para seu curso normal.
•O dia da dificuldade ou disputa.
•O dia de três desejos ou o dia das três maravilhas.
Note que só um Òrìsà tem um dia nomeado para si dentro dos sete dias.
Esta é Ajé (a deusa das riquezas).
Orúnmìlá não criou estes sete dias por adorar qualquer Òrìsà.
Ele os criou com a finalidade de observar matrimônios e aniversários, para começar um negócio ou mudar para uma casa nova e assim por diante.
Os dias da semana dos Òrìsà participam um ciclo dentro destes sete dias de observância importante de todos que pode acontecer no dia do Òrìsà.
Vinte e oito dias que são sete semanas dos Òrìsà faz um mês.
(Texto: Sagrado Oráculo de Ifá Epega)

domingo, 24 de junho de 2012

Orixa ORI


ORI

ORI

Ori é o deus portador da individualidade de cada ser humano. Representa o mais íntimo de cada um, o inconsciente, o próprio sopro de vida em sua particularização para cada pessoa. Ori mora dentro das cabeças humanas, tornando cada um aquilo que é.
Como ao morrer, a cabeça de uma pessoa não é separada para o enterro, Ori é conhecido como aquele que pode fazer a grande viagem sem retorno, pois os outros orixás, mesmo quando morrem seus filhos, são libertados da cabeça (Ori) e retornam ao Orun (céu, ou mundo exterior).
À cerimónia de equilíbrio do Ori dá-se o nome de Bori (bo = oferenda, ori = cabeça => dar oferenda para a cabeça, fortalece-la). Não se deve no entanto confundir Bori com Iniciação. O Bori pode ser feito em qualquer momento e não implica qualquer vínculo com o Orixá ou com a casa.
Durante o processo iniciático a primeira entidade a ser equilibrada é justamente o Ori, a individualidade pessoal, para que a pessoa não se transforme num mero espelho do orixá.
Um dos mitos sobre Ori diz que ele pode depois de enterrado voltar ao Orum, levado por Nanã ou Ewá. Diz este mito que um dia Ori percebeu que era o momento de nascer outra vez e foi falar com Olorum, o Universo, solicitando permissão para nascer na mesma família em que havia nascido antes. Olorum permitiu, com a condição de que apenas ele, Olorum, pudesse conhecer o dia de sua morte, sem que Ori pudesse opinar sobre esta questão e que o destino de Ori só pudesse ser mudado quando Ifá fosse consultado.
Este orixá não tem características estéticas pois não incorpora. Apenas é cultuado juntamente com os orixás, possuindo um número no jogo de búzios onde “fala”.
A quizila de Ori é a mentira.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Opatcha. Viva o Povo Cigano


Sarah La Kali
Sarah la Kali
A primeira menção histórica a respeito de Sarah la Kali foi encontrada em um texto escrito em 1521, por Vincent Philippon intitulado, A Lenda das Santas-Marias. Suas páginas manuscritas encontram-se agora na biblioteca de Arles. Nesta versão da lenda, Sarah vivia em Camargue, sul da França (sem mais detalhes) entre ciganos do clã Sinte.
De acordo com outra narrativa, Sarah era de nascença uma egípcia e foi para a Palestina como escrava de José de Arimatéia. Este, que no ano 50 d.C empreendeu fuga da perseguição romana aos cristãos, viajando através do mar em uma pequena embarcação acompanhado de Maria Jacobina (irmã de Maria de Nazaré), Maria Salomé(mãe dos apóstolos João e Tiago) e Maria (mãe de). Eles se depararam com uma tempestade severa e segundo essa versão da lenda, Sarah guiou a todos, por meio da leitura das estrelas, para a costa distante, no sul da França.

Em outra lenda que nós, ciganos Sinte, acreditamos muito mais ...Sarah la Kali foi uma cigana que estava acampada na costa ao sul da França, quando o barco em questão se aproximou. E o contato entre ela e as "marias vindas do mar" se deu da seguinte forma: de acordo com Franz Ville, autor do livro (Tziganes, editado em Bruxelas 1956): " Uma de nossa gente foi quem recebeu a primeira revelação e essa pessoa foi Sarah la Kali. Nascida em uma família cigana, Sarah la Kali foi a pessoa principal de seu clã em Rhone (antigo nome da atual cidade de Saint Marie de La Mer). Ela foi escolhida como sacerdotisa-iniciada nos elementos Terra, Água e Ar e é por esse motivo que se vestia de preto, daí seu nome Sarah la Kali (em Romanês, Kali significa preto). Conhecedora de todos os segredos a ela transmitidos, e diga-se de passagem eram muitos os segredos; pois nós, ciganos, a esse tempo já conhecíamos os fundamentos de várias religiões e dominávamos várias formas de ocultismo. Nessa época uma vez por ano, os ciganos Sinte colocavam em seus ombros a estátua de ISHTAR (a filha da Lua) e entravam no mar para receber suas bençãos ( fato que atualmente ocorre com a imagem de Sarah la Kali). Ainda há registros nas tradições orais em Romani desta parte da lenda:
" um dia Sarah la Kali teve visões que a informaram: as "marias" que estiveram presentes à morte deJesus viriam para sua região e que ela as ajudaria. Sarah viu-as chegando em um barco. O mar estava bravio e ameaçava afundar a embarcação. Sarah lançou seu lenço nas ondas e, usando o mesmo, caminhou sobre as águas ajudando as "marias" a desembarcarem em segurança.

Image Detail
ORAÇÃO PARA SANTA SARA KALI - Em Romani

"Manglimos Katar e Icana Sara Kali

Tu Ke San Pervo Icana Romli Anelumia
Tu Ke Biladiato Le Gajie Anassogodi Guindiças
Tu Ke daradiato Le Gajie, Tai Chudiato Anemaria
Thie Meres Bi Paiesco Tai Bocotar Janes So Si e Dar,
E Bock, Thai O Duck Ano Ilô Thiena Mekes Murre Dusmaia
Thie Açal Mandar Thai Thie Bilavelma
Thie Aves Murri Dukata Angral O Dhiel
Thie Dhiesma Bar, Sastimôs
Thai Thie Blagois Murrô Traio
Thie Diel O Dhiel."

Oração

Tu que és a única Santa Cigana do Mundo.
Tu que sofrestes todas as formas de humilhação e preconceitos.
Tu que fostes amedrontada e jogada ao mar.
Para que morresses de sede e de fome.
Tu sabes o que é o medo, a fome, a mágoa e a dor no coração.
Não permitas que meus inimigos zombem de mim ou me maltratem.
Que Tu sejas minha advogada perante à Deus.
Que Tu me concedas sorte, saúde e que abençoe a minha vida.
Amém 

continuacao:
CONTINUACAO

A bem da verdade Saintes-Maries-de-la- Mer , ou "santas marias do mar ", é uma pequena vila de pescadores localizada no centro-sul da costa do mediterrâneo, França, na região de Camargue de Bouches-du-Rhone. Escavações arqueológicas e lendas locais indicam que a região tem sido venerada como um lugar sagrado por uma sucessão de culturas, incluindo os celtas, romanos, cristãos e, mais recentemente, nós, os ciganos. Uma vez que era o local sagrado da deusa tríplice celta – ligada às águas ( a deusa tríplice é o cerne das religiões pagãs e está presente em diversas culturas). Na cultura celta, há várias deusas que assumem esse papel de deusa tríplice, trazendo em si as três fases da vida: nascimento, crescimento e morte. São representadas por uma mulher que traz em si a adolescente, a mãe e a anciã. O três ou a tríade, antes mesmo de ser usado no Cristianismo, era a base da magia e religião celta, pois se baseava não só nas três fases da vida, mas também nas estações (que no início eram contadas como três – sendo que uma dependia da Terra, outra da Água e a última do Ar ). Em época celta a cidade possuía uma deusa da primavera conhecida pelo nome de Oppidum Priscum Ra. A adoração a deusa tríplice da água foi substituída por templos romanos dedicados a Artemis, Cibele e Ísis. Já em 542 dC, a cidade era conhecida como Saintes-Maries-de-la-Barca, em 1838, recebeu seu nome atual: o de “Saint Maries de la mer”. Fontes históricas mencionam uma igreja do século 9 construída na vila, mas muito pouco se sabe sobre a história da cidade antes do século 14, por causa de sua localização remota. Não se sabe exatamente quando e por que a igreja da vila se tornou o local mais sagrado dos ciganos"manushes" , algum tempo após sua chegada na Europa no início dos anos 1400.
Outros aspectos de Sarah la Kali: 
Quando nas lendas aparece a referência de que ela foi escolhida como sacerdotisa iniciada, na realidade isso equivale a dizer: ela era a personificação de uma Shakti. E dentro dos conceitos atávicos que trouxemos do norte da Índia, como personificação de uma Shakti, Sarah la Kali exercia a proteção dos oprimidos e perseguidos e é por isso que alguns clãs ciganos peregrinam rumo ao "santuário" de Sarah la Kali, em Saint Marie de la Mer, na França.
Nicolas Ramanush
Esta seria a visão aproximada que as "Marias" tiveram do Mar Mediterrâneo para a região onde, conforme reza a lenda, estavam os ciganos e Sarah la Kali e que atualmente encontra-se a Catedral.
Esta seria a visão aproximada que as "Marias" tiveram do Mar Mediterrâneo para a região onde, conforme reza a lenda, estavam os ciganos e Sarah la Kali e que atualmente encontra-se a Catedral.O pequeno Rhône é um dos braços de um rio que deságua no Mediterrâneo, tem 68 km , sua profundidade varia 2 a 5 metros e sua largura entre 60 e 150 metros. Aqui navegávamos em suas águas calmas e viamos o famoso Rancho Reynaud. Um dos mais antigos e importantes da região na criação de touros de Camargue.

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Arroz de Camargue


Nesta foto você pode ver os campos de arroz, à margem do petit Rhône. O arroz é plantado em maio e colhido em setembro. Reparem que já havia alguns brotos. O arroz de Camargue é famoso no mundo inteiro pois é cultivado em água salgada que dá a ele um sabor diferenciado.

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Essa vegetação é chamada de Salicórnia elas são cheias de água, óleo e sal. É usada como tempero e chamada de "sal verde".


Você pode ver na foto acima que a Cripta de Sarah la Kali situa-se logo abaixo do altar principal , e não do lado de fora da Catedral como muita gente acreditava.A Cripta é abobadada e na parte mais alta tem aproximadamente 2,80m

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No horário da missa com predominância de não ciganos.

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A cruz que se ve acima da porta lateral da Igreja é chamada Cruz de Camargue ela pode ser vista na maioria das casas da região e o seu simbolismo significa " a minha fé está ancorada no meu coração". Acima a esquerda ve-se a Catedral repleta de pessoas dentro , fora e na torre da mesma. Registramos aqui a saída de Sarah e na torre ve-se pessoas que buscavam uma visão privilegiada. Abaixo a tal visão privilegiada antes da procissão.

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Na placa afixada na Catedral pode-se ler oseguinte: " Igreja das Santas Marias - século IX,X e XII.Dedicada as Santas Marias Jacobina e Salomé. Construida sobre um antigo santuário ( que hoje é a Cripta de Sarah),na forma de um forte para proteger os habitantes e as relíqueas das invasões Sarracenas.
Dentro da Cripta estatua deSantaSarah patrona dos Ciganos.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Ser Guardia Pomba Gira







Segue um artigo maravilhoso, de autor desconhecido, que nos mostra o que é ser a Senhora Guardiã Pomba Gira:

SER GUARDIÃ POMBA GIRA…
• Ser Guardiã Pomba Gira é viver mil vezes em apenas uma vida, é lutar por causas perdidas e sempre sair vencedora, é estar antes do ontem e depois do amanhã, é desconhecer a palavra recompensa apesar dos seus atos.
• Ser Guardiã Pomba Gira é caminhar na dúvida cheia de certezas, é correr atrás das nuvens num dia de sol e alcançar o sol num dia de chuva.
• Ser Guardiã Guardiã Pomba Gira é chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza, é cancelar sonhos em prol de terceiros, é acreditar quando ninguém mais acredita, é esperar quando ninguém mais espera.
• Ser Guardiã Pomba Gira é identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa, é ser enganada e sempre dar mais uma chance, é cair no fundo do poço e emergir sem ajuda.
• Ser Guardiã Pomba Gira é estar em mil lugares de uma só vez, é fazer mil papéis ao mesmo tempo, é ser forte e fingir que é frágil pra ter um carinho.
• Ser Guardiã Pomba Gira é se perder em palavras e depois perceber que se encontrou nelas; é distribuir emoções que nem sempre são captadas.
• Ser Guardiã Pomba Gira é comprar, emprestar, alugar, vender sentimentos, mas jamais dever, é construir castelos na areia, vê-los desmoronados pelas águas e ainda assim amá-las.
• Ser Guardiã Pomba Gira é saber dar o perdão, é tentar recuperar o irrecuperável, é entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.
• Ser Guardiã Pomba Gira é estender a mão a quem ainda não pediu, é doar o que ainda não foi solicitado.
• Ser Guardiã Pomba Gira é não ter vergonha de chorar por amor, é saber a hora certa do fim, é esperar sempre por um recomeço.
• Ser Guardiã Pomba Gira é ter a arrogância de viver apesar dos dissabores, das desilusões, das traições e das decepções.
• Ser Guardiã Pomba Gira é ser mãe dos seus filhos e dos filhos dos outros e amá-los igualmente.
• Ser Guardiã Pomba Gira é ter confiança no amanhã e aceitação pelo ontem, é desbravar caminhos difíceis em instantes inoportunos e fincar a bandeira da conquista.
• Ser Guardiã Pomba Gira é entender as fases da lua por ter suas própria fases. É ser “nova” quando o coração está a espera do amor, ser “crescente” quando o coração está se enchendo de amor, ser “cheia” quando ele já está transbordando de tanto amor e “minguante” quando esse amor vai embora.
• Ser Guardiã Pomba Gira é hospedar dentro de si o sentimento de perdão, é voltar no tempo todos os dias e viver por poucos instantes coisas que nunca ficaram esquecidas.
• Ser Guardiã Pomba Gira é cicatrizar feridas de outros e inúmeras vezes deixar as suas próprias feridas sangrando.
• Ser Guardiã Pomba Gira é ser princesa aos 20, rainha aos 30, imperatriz aos 40 e especial a vida toda.
• Ser Guardiã Pomba Gira é conseguir encontrar uma flor no deserto, água na seca e labaredas no mar.
• Ser Guardiã Pomba Gira é chorar calada as dores do mundo e em apenas um segundo já estar sorrindo.
• Ser Guardiã Pomba Gira é subir degraus e se os tiver que descer não precisar de ajuda, é tropeçar, cair e voltar a andar.
• Ser Guardiã Pomba Gira é saber ser super-homem quando o sol nasce e virar cinderela quando a noite chega.
• Ser Guardiã Pomba Gira é acima de tudo um estado de espírito, é ter dentro de si um tesouro escondido e ainda assim dividi-lo com o mundo.

Fonte: livro: Exus e Pomba Gira na Umbanda – Simbolismo e Função – Autoria do Pai Juruá.
 








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