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quarta-feira, 19 de novembro de 2014
sábado, 15 de novembro de 2014
Candomble - Curiosidades de Yemanja
por : Obarainan Oloje
curiosidades de yemanja
1. Yemanjá AWOYÓ:
A primogênita. A mais velha das Yemanjás e dos mais ricos trajes; usa sete saias para guerrear e defender seus filhos.... Ela vive distante no mar e repousa na lagoa; come carneiro e, quando sai a passeio, usa as jóias de Olokum e coroa-se com Oxumarê, o arco-íris.
1. Yemanjá AWOYÓ:
A primogênita. A mais velha das Yemanjás e dos mais ricos trajes; usa sete saias para guerrear e defender seus filhos.... Ela vive distante no mar e repousa na lagoa; come carneiro e, quando sai a passeio, usa as jóias de Olokum e coroa-se com Oxumarê, o arco-íris.
2. Yemanjá OKETÉ (OGUTÉ, OKUTÍ ou KUBINI)
É a guardiã de Olokum. A do azul pálido (claro), está nos arrecifes da costa (porteira de Olokum). Encontra-se tanto no mar, no rio, na laguna, quanto na mata. Yemanjá, nesta qualidade, é mulher do deus da guerra e dos ferros, OGUM. Come (recebe sacrifícios) em sua companhia e os aceita tanto no mar quanto no matagal. Quando guerreia leva pendentes da cintura o facão e as demais ferramentas de Ogum. Ela trabalha muito, é severa, rancorosa e violenta. É uma temível amazona.
3. Yemanjá MAYALEO ou MAYELEWO:
Mora nos bosques, em um pequeno poço ou manancial, que sua presença torna inesgotável. Nesse caminho, assemelha-se à sua irmã Oxum Ikolé, porque é feiticeira. Tem estreitas ligações com Ogum. Tímida e reservada, incomoda-se quando se toca o rosto de sua iaô e retira-se da festa.
4. Yemanjá AYABÁ ou ACHABÁ
Nesta qualidade, Yemanjá é perigosíssima, sábia e muito voluntariosa. Usa no tornozelo uma corrente de prata. Seu olhar é irresistível e seu ar é altaneiro. Foi mulher de Orunmilá, e Ifá sempre acata sua palavra. Para ouvir seus fiéis costuma ficar de costas. Suas amarrações jamais podem ser desatadas.come carneiro macho castrado vem sempre pelos caminhos de nana , saponna e xango.um orixa belo mais porem que nescessita sempre de uma boa atenção para que não se faça nanã em vez de sabá
5. Yemanjá KONLÉ ou KONLÁ:
A da espuma. Está na ressaca da maré; enreda e envolta em um mato de algas e limo. Por ser navegante, vive nas hélices dos barcos.
6. Yemanjá AKUARA:
A das duas águas – Yemanjá na confluência de um rio. Ali encontra-se com sua irmã Oxum. Mora na água doce, gosta de dançar, é alegre e muito correta; Não pratica malefícios. Cuida dos doentes, prepara remédios, amarra abicus.
7. Yemanjá ASESU:
É a mensageira de Olokum, a da água turva, suja. Muito séria e trabalhadora.; vai no esgoto, nas latrinas e cloacas. Recebe suas oferendas na companhia dos mortos. É muito lenta em atender seus fiéis, pois conta meticulosamente as penas do pato a ela sacrificado, e caso se engane na conta, começa de novo e essa operação se prolonga indefinidamente.e um caminho que deverar ser muito pesquizado,pois caminha sempre com alguma qualidade de oya de bale deixando muitas as vezes seus filhos padecerem com influencias de egun,um orixa prospero quando bem iniciado,cabe lembrar que esse caminho nao se faz em tres ou 7 dias como vem acontecendo na atualidade.
iku ike obarainan.
É a guardiã de Olokum. A do azul pálido (claro), está nos arrecifes da costa (porteira de Olokum). Encontra-se tanto no mar, no rio, na laguna, quanto na mata. Yemanjá, nesta qualidade, é mulher do deus da guerra e dos ferros, OGUM. Come (recebe sacrifícios) em sua companhia e os aceita tanto no mar quanto no matagal. Quando guerreia leva pendentes da cintura o facão e as demais ferramentas de Ogum. Ela trabalha muito, é severa, rancorosa e violenta. É uma temível amazona.
3. Yemanjá MAYALEO ou MAYELEWO:
Mora nos bosques, em um pequeno poço ou manancial, que sua presença torna inesgotável. Nesse caminho, assemelha-se à sua irmã Oxum Ikolé, porque é feiticeira. Tem estreitas ligações com Ogum. Tímida e reservada, incomoda-se quando se toca o rosto de sua iaô e retira-se da festa.
4. Yemanjá AYABÁ ou ACHABÁ
Nesta qualidade, Yemanjá é perigosíssima, sábia e muito voluntariosa. Usa no tornozelo uma corrente de prata. Seu olhar é irresistível e seu ar é altaneiro. Foi mulher de Orunmilá, e Ifá sempre acata sua palavra. Para ouvir seus fiéis costuma ficar de costas. Suas amarrações jamais podem ser desatadas.come carneiro macho castrado vem sempre pelos caminhos de nana , saponna e xango.um orixa belo mais porem que nescessita sempre de uma boa atenção para que não se faça nanã em vez de sabá
5. Yemanjá KONLÉ ou KONLÁ:
A da espuma. Está na ressaca da maré; enreda e envolta em um mato de algas e limo. Por ser navegante, vive nas hélices dos barcos.
6. Yemanjá AKUARA:
A das duas águas – Yemanjá na confluência de um rio. Ali encontra-se com sua irmã Oxum. Mora na água doce, gosta de dançar, é alegre e muito correta; Não pratica malefícios. Cuida dos doentes, prepara remédios, amarra abicus.
7. Yemanjá ASESU:
É a mensageira de Olokum, a da água turva, suja. Muito séria e trabalhadora.; vai no esgoto, nas latrinas e cloacas. Recebe suas oferendas na companhia dos mortos. É muito lenta em atender seus fiéis, pois conta meticulosamente as penas do pato a ela sacrificado, e caso se engane na conta, começa de novo e essa operação se prolonga indefinidamente.e um caminho que deverar ser muito pesquizado,pois caminha sempre com alguma qualidade de oya de bale deixando muitas as vezes seus filhos padecerem com influencias de egun,um orixa prospero quando bem iniciado,cabe lembrar que esse caminho nao se faz em tres ou 7 dias como vem acontecendo na atualidade.
iku ike obarainan.
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sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Efun
Efun
Efun é uma cerimonia ritualística que consiste em pintar a cabeça raspada e o corpo de um iniciado, com circulos ou pontos, e com traços tribais, feitos co...m giz, também conhecido como pemba durante a iniciação. Na primeira saida (saida de Oxalá) do iniciado (Iaô), a pintura é toda branca. Na segunda costuma-se usar a côr preferida do seu orixá de cabeça.Para essa pintura usa-se giz dissolvido em água, com um pouco de goma arábica. Depois da dança a pintura é removida com um banho de ervas sagradas.
Efun na língua iorubá é cal, giz. No culto de Obatalá ( Oxalá) , na África este é representado por bolos redondos de giz - sésé - efun ( xexé efun ) , bem como outros objetos brancos. Efun também significa cal. E cal é " lime " em inglês , que também é limo. O chamado " limo" da Costa para representar Oxalá acaba sendo confundido devido ao uso errôneo das palavras. O cal ou gesso, , segundo as tradições africanas, é o material para o "assentamento", que é a implantação do orixá no iaô e no seu fetiche.Dicionário de cultos Afro. Brasileiros Olga Gudolle Cacciatore nome jeje-nago dado a vários tipos de pó, utilizados nos rituais afro brasileiro.
Efun mineral: é um pó retirado de calcário, que são encontrados na natureza em várias cores, também chamada de tabatinga. É utilizado na feitura de santo que serve para pintar o corpo do neófito, chamada de efum fum (pó branco).
Efun vegetal: é um pó retirado de frutos tipo: obi, orobo, aridan, pichurin, nós-moscada e folhas sagradas. A mistura do efun mineral e o efum vegetal recebe o nome de atin e só deve ser preparada pela iyaefun ou iyalorixa. A farinha de mandioca é chamada naturalmente de efun nos terreiros de candomblé.
Efun é uma cerimonia ritualística que consiste em pintar a cabeça raspada e o corpo de um iniciado, com circulos ou pontos, e com traços tribais, feitos co...m giz, também conhecido como pemba durante a iniciação. Na primeira saida (saida de Oxalá) do iniciado (Iaô), a pintura é toda branca. Na segunda costuma-se usar a côr preferida do seu orixá de cabeça.Para essa pintura usa-se giz dissolvido em água, com um pouco de goma arábica. Depois da dança a pintura é removida com um banho de ervas sagradas.
Efun na língua iorubá é cal, giz. No culto de Obatalá ( Oxalá) , na África este é representado por bolos redondos de giz - sésé - efun ( xexé efun ) , bem como outros objetos brancos. Efun também significa cal. E cal é " lime " em inglês , que também é limo. O chamado " limo" da Costa para representar Oxalá acaba sendo confundido devido ao uso errôneo das palavras. O cal ou gesso, , segundo as tradições africanas, é o material para o "assentamento", que é a implantação do orixá no iaô e no seu fetiche.Dicionário de cultos Afro. Brasileiros Olga Gudolle Cacciatore nome jeje-nago dado a vários tipos de pó, utilizados nos rituais afro brasileiro.
Efun mineral: é um pó retirado de calcário, que são encontrados na natureza em várias cores, também chamada de tabatinga. É utilizado na feitura de santo que serve para pintar o corpo do neófito, chamada de efum fum (pó branco).
Efun vegetal: é um pó retirado de frutos tipo: obi, orobo, aridan, pichurin, nós-moscada e folhas sagradas. A mistura do efun mineral e o efum vegetal recebe o nome de atin e só deve ser preparada pela iyaefun ou iyalorixa. A farinha de mandioca é chamada naturalmente de efun nos terreiros de candomblé.
Efun animal: é um pó retirado de ossos e cartilagens dos animais utilizados em sacrifícios aos orixás. Esta extração deve ser feita pelo axogun ou babalorixá, entrando na preparação de assentamento de orixa.
Efun (barro branco encontrado no fundo dos rios); foi o primeiro condimento utilizado antes da introdução do Sal. Muito usado em Ebos elaborados para aos Orisa-funfun (Orisa’s dos primórdios). O efun simboliza o Dia, por isso, quando em pó, seja soprado ou friccionado seco é utilizado com o objetivo de expandir, vitalizar, iluminar, clarear, despertar, avivar. Já o Efun molhado com água pura ou com o soro do Igbin é utilizado para acalmar, tranqüilizar, adormecer, suavizar, abrandar, repousar, proteger. Por isso que a cabeça do Yawo em reclusão deve permanecer coberta de pó de Efun o Dia, e durante a noite coberta com Waji e pequenas marcas de Efun.
Efun (barro branco encontrado no fundo dos rios); foi o primeiro condimento utilizado antes da introdução do Sal. Muito usado em Ebos elaborados para aos Orisa-funfun (Orisa’s dos primórdios). O efun simboliza o Dia, por isso, quando em pó, seja soprado ou friccionado seco é utilizado com o objetivo de expandir, vitalizar, iluminar, clarear, despertar, avivar. Já o Efun molhado com água pura ou com o soro do Igbin é utilizado para acalmar, tranqüilizar, adormecer, suavizar, abrandar, repousar, proteger. Por isso que a cabeça do Yawo em reclusão deve permanecer coberta de pó de Efun o Dia, e durante a noite coberta com Waji e pequenas marcas de Efun.
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sábado, 8 de novembro de 2014
Cobras - Dan - e Yamins
Orixá Apostilas Candomblé com Rogério Franquilino
Boa tarde meu povo do candomblé!!!
Conhecimento nunca é demais:
Corta-se Dan para Oxumarê?
Existem casas que fazem isso sim. Mas a Dan, a cobra, a serpente, que em iorubá não é nem Dan, em Iorubá é Djô, mas é conhecida popularmente como Dan. Tanto que é um título de Iyámi, ela é djô (senhora das serpentes). Na realidade, as djô, as serpentes, elas pertencem as Iyámis. Oxumarê, ele é representado como uma cobra, na realidade, no mito original poderia ser representado como um dragão, porque ele se estica da terra ao céu para promover o ciclo das chuvas. Oxumarê é o Orixá que rege o ciclo das águas das chuvas, quando a água evapora da lagoa, se torna nuvem, da nuvem vira chuva e cai, ou seja, a cobra morde o próprio rabo. A serpente orobô que é o símbolo de Oxumarê, o ciclo das águas, na realidade seria o mito do dragão porque pelas citações antigas de Oxumarê, quando se diz assim: “Oxumarê aquele que se estica até o céu se diz que ele bota fogo pelo nariz e pelas mãos”, e a serpente que bota fogo pelo nariz não é serpente, é dragão. Na realidade, as cobras e serpentes pertencem as Iyámis, porque são símbolos femininos. Elas andam, arrastando a barriga pelo chão. Oxumarê é um Orixá associado à riqueza pela relação com a chuva e com o ciclo das águas, com a fertilidade. A serpente é ligada à Iyámi porque ela arrasta a barriga no chão, o ventre da mulher, o ventre que traz a vida e as serpentes que andam arrastando a barriga no chão tem uma relação com o culto da fertilidade, do culto de Gëlëdé e o culto de Iyámi, aliás muito mais ligada à Iyámi do que propriamente a Oxumarê, apesar de fazer parte do culto de oxumarê também. Portanto não se deve enfim, cortar a Dan para Oxumarê, pois são animais sagrados, e animais que são símbolos do orixá, não devem ser sacrificados para ele, devem ser sim, bem vivos. Os egípcios faziam isso muito bem, quando eles associavam animais a seus deuses e não matavam esses animais para os seus deuses. Assim como não se mata o búfalo para Oiá porque o búfalo é sagrado para Oiá, assim como não se deve matar a serpente para oxumarê. É a idéia da quizila. Não se come daquilo que se é feito. Poderia se dizer, que se oferece Igbin a Oxalá, mas o animal sagrado de Oxalá não é o Igbin. O grande animal sagrado de Oxalá é o camaleão. O igbin é oferecido a todos os orixás para acalmar.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Oriki - Invocacao
Oriki - Invocacao
Oriki - Invocacao
A palavra Oriki, é formada por duas palavras, Ori = Cabeça e KI = Louvar / saudar.
Então Oriki significa, saudar ou louvar a algo que estamos nos referindo.
Sendo as palavras portadoras de força e asè, dá-se aos orikis o poder de invocarem por si próprios a força vital.
Com a importância a ele atribuída, sua entonação sempre emociona as pessoas a quem são dirigidos. Falam de seus feitos e virtudes, suas características e fraquezas, tendo assim valor documental, pois registrou e registra passagens importantes da cultura tradicional Yorubá.
Usamos os orikis por várias razões, direcionados a um òrìsá, egungun, entes queridos, casamentos, komojade, relatam episódios de bênçãos, ressaltam animais e plantas. Quando referido a òrìsá, enfatizam-se suas qualidades e realizações, pois tais chamamentos acreditam-se, tornam-se infalivelmente ouvidos e as oferendas recebidas.
Assim sendo, servem para louvar e pedir auxilio do ALTO.
Os òrisas podem receber o oriki ou o pipe (chamado): oriki Sòngo ou Sòngo pipe, oriki Esù ou Esù pipe, oriki Òyà ou Òyà pipe. Para outros òrìsá usamos apenas o termo oriki, Yemonja, Òba, Òsun e etc.. Estes são devidamente somente alguns exemplos.
Os orikis são repetitivos em algumas palavras, citamos como exemplo os orikis de Sòngo que incluem: Olukoso, e Òba Koso ( orei que não se enforcou), Alado (aquele que racha pilão), Ogiri èkun (leopardo feroz), Asangiri (aquele que racha parede), Alagiri (aquele que abre paredes), Alafin Òyò ( rei de Òyò). Os relativos à Òyà são:
Òyà oriri (o vendaval), Ti ndagi lokeloke ( a que corta a copa das árvores), Òyà ariná bora bi aso (Òyà vestida de fogo). Os de Òsun relatam: A fide rémó ( a que enfeita seus filhos com braceletes de bronze), O wa yanrin wa yanrin kowo si ( a que cava e cava a areia para esconder suas riquezas). Os relativos à Òba incluem: O jowu obirin ( a mulher ciumenta), To t’Ori owu kòla si gbogbo ara ( a que por ciúmes se cobriu de incisões ornamentais).
Tanto os sacrifícios como os orikis são primordiais para que se tenha a presença do orisa ou dos ancestrais e sua entonação pode facilmente induzir ao tranze. Pessoas iniciadas no culto a determinado orisa podem entrar neste transe ao ouvir esta recitação.
Oriki-orilè é a denominação de orikis referentes ás linhagens. Pode ser dirigida a família ou a um de seus membros, com o intuito de louvar seus ancestrais, demonstrar apreço ou aplacar sua ira.
Usado para rememorá-los e dar conhecimento aos mais novos dos feitos de seus antepassados.
Orikis deste tipo não usados para causar emoções apenas louvamos o reconhecimento dos predicados dos antepassados, onde enfatizamos sua profissão, gosto alimentar e outras de suas particularidades.
Esta modalidade é usual entre os Yorubas, quando temos eventos como casamentos, komojade, inauguração de casa, ritos fúnebres e etc..
Existem pessoas especializadas nestes oriki-orilé, que sempre são convidadas para fazer estas recitações.
Os nascimentos têm um oriki diferenciado, chamado de oriki amutòrunwa, que narram as circunstancias do nascimento da criança. Os gêmeos são saudados com oriki-orilè e oriki amutòrunwa, especialmente dedicados a eles.
Nos funerais de anciãos os oriki-orilè são entoados pelas mulheres e no caso de caçadores se faz o mesmo.
Nota-se que estes chamados são para invocar a presença do homenageado.
Em caso de viagens são entoados em forma de benção relembrando suas profissões, motivo da viagem e Ewó (interdições).
Lembramos, porém, que existe uma relação entre oriki-orilè e Ila-oju (marcas faciais), ambos servem para identificar suas linhagens, constituindo sinais de identidade familiar.
Sabemos que animais, cidades, povos, terras possuem orikis próprios, que por vezes são acompanhados de tambores tais como: bata, bembé, gangan, ogidigbo, igbin, gbèdu e etc. Convém que faça-mos uma breve referência a esses tambores. A seu respeito, diz, J. Ki-Zerbo, veículos da história falada, esses instrumentos são venerados e sagrados. Com efeito, incorporam-se ao artista e seu lugar é tão importante na mensagem que, graças às línguas tonais, a música torna-se diretamente inteligível, transformando-se o instrumento na voz do artista sem que este tenha que pronunciar uma palavra se quer. O tríplice ritmo, tonal, de intensidade e de duração, faz-se então, musica significante. A musica está tão intimamente ligada a essa tradição que narrativas somente podem ser feitas sob a forma cantada.
Assim sendo temos: Bata, tambor sagrado tocado com dois atori, é usado no culto dos òrìsá, sendo o preferido de Sòngo.
Bèmbè, tocado com um único atori, é o preferido de Òsun.
Ogidigbo e gangan, são tambores sagrados, sendo este ultimo pendurado no ombro e tocado com um atori, usado para marcar a cadência dos cânticos rituais.
Igbin, usado para acompanhar cantos e outros fundamentos do orisá OBATALÁ, divindade sagrada que modela o corpo do homem.
Gbèdu, usado somente para anunciar a morte de um Oba (rei).
Entoados com finalidade religiosa ou não, o simples ouvir de um oriki impõem silencio, compenetração e respeito dos presentes.
Iba se òrìsá.
domingo, 8 de dezembro de 2013
QUEM PERDE O CORPO Eh A LINGUA
Folclore Quimbundo – Angola
Quem perde o corpo é a língua
Conta-se em Angola que há muito tempo um caçador, voltando para sua aldeia, encontrou uma caveira num oco de pau. Assustado, olhou desconfiadamente de um lado para o outro, temendo alguma armadilha ou uma das muitas artimanhas dos espíritos que faziam da floresta seu lar. Mesmo ainda muito espantado, tomou coragem e se aproximou para observar. Nesse momento, a Caveira chamou-o e pediu:
— Chegue mais perto, caçador, que eu não mordo,
não! Mas quem diz que ele a atendeu. Mais desconfiado do que propriamente assustado, o caçador ficou onde estava e somente depois de mais algum tempo juntou um restinho de coragem e perguntou:
— Quem a pôs nesse lugar, Caveira?
— Foi a Morte, caçador — apressou-se ela a responder.
— E quem a matou?
Enigmática, os olhos brilhando nas órbitas vazias, a
Caveira voltou a responder:
— Quem perde o corpo é a língua!…
O caçador voltou para casa e contou aos companheiros o que acontecera. Ninguém acreditou, mas conversa
vai, conversa vem a história da Caveira que falava no meio da floresta foi se espalhando, espalhando, até que
muita gente dela falava.
Dias mais tarde o caçador passou pelo mesmo pedaço escuro e sombrio da floresta e tornou a ver a Caveira no mesmo lugar, ajeitada caprichosamente num oco de uma enorme e igualmente assustadora árvore.
Tornou a fazer as mesmas perguntas e, como era de esperar, ouviu as mesmas respostas. Mais que depressa o caçador correu para a aldeia e, todo orgulhoso de si mesmo, pois afinal era o único que encontrava e conversava com a misteriosa Caveira, teimou em contar a história aos companheiros. A verdade é que tanto ele contou que muitos começaram a ficar com raiva dele… afinal de contas, que Caveira era aquela que só falava com ele?
E por quê? Seria mentira?
Por fim, acabaram dizendo:
— Vamos ver essa tal Caveira de que fala tanto, mas ouça bem: se ela não disser coisa alguma que se pareça com tudo isso que você tem dito a nós, vamos lhe dar lá mesmo a maior surra de pau que você já levou pra deixar de ser mentiroso, ouviu bem? Certo que a Caveira não o decepcionaria, mais do que depressa o caçador os conduziu até a sua estranha companheira.
Vendo-a, apressou-se em lhe fazer as tais perguntas de que tanto falara, mas a Caveira não murmurou sequer qualquer coisa. Calada estava, calada ficou. Mais o caçador perguntava e mais ela ficava calada. Nem um “ai”, quanto mais uma resposta.
Diante dos olhares ameaçadores dos companheiros, ele ainda tentou argumentar, dizer qualquer coisa, encontrar um jeito de…
Mas ninguém quis saber de conversa e muito menos de explicação. Caíram sobre ele com toda a raiva do mundo e deram-lhe uma grande surra. A maior que já levara. Foram embora reclamando muito e gritando:
— Mentiroso!
Pobre caçador!
Todo machucado, o corpo dolorido, ficou estirado no chão, gemendo. Só com muito esforço, conseguiu forças para ficar de pé. Quando finalmente conseguiu se levantar, olhou cheio de raiva para a Caveira
e resmungou:
— Olha bem, coisa do diabo, o que fez comigo! Os olhos dela cintilaram quase zombeteiramente e, depois de algum tempo, ela afirmou:
— Quem perde o corpo é a língua, meu amigo, é a
língua…
E cá entre nós, com toda razão!
O caçador, bem machucado, foi para casa e, dessa vez, calou-se, guardando para si aquilo que somente
ele ouvira. Mukuendangó, Mukúfuangó, Mukuzuelangó, Mukuiangó. (Por andar à toa, morre-se à toa; por
falar à toa, vai-se à toa!)
Júlio Emilio Braz
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Historia De Santa Barbara
História de Santa Bárbara

História de Santa Bárbara
Santa Bárbara é uma Santa Cristã comemorada na Igreja Católica Romana e na Igreja Ortodoxa, que foi uma virgem mártir no século terceiro.
Comemora-se no dia 4 de Dezembro de cada ano.
Santa Bárbara foi uma jovem nascida na cidade de Nicomédia (na região da Bitínia), atual Izmit, Turquia nas margens do Mar de Mármara, isto nos fins do século III da Era Cristã. Esta jovem era a filha única de um rico e nobre habitante desta cidade do Império Romano chamado Dióscoro.
Por ser filha única e com receio de deixar a filha no meio da sociedade corrupta daquele tempo, Dióscoro decidiu fechá-la numa torre. Santa Bárbara na sua solidão, tinha a mata virgem como quintal, e questionava-se, se de fato, tudo aquilo era criação dos ídolos que aprendera a cultuar com seus tutores naquela torre. Por ser muito bela, não lhe faltavam pretendentes para casamentos, mas Bárbara não aceitava nenhum.
Desconcertado diante da cidade, Dióscoro estava convencido que as “desfeitas” da filha justificavam-se pelo fato dela ter ficado trancada muitos anos na torre. Então, ele permitiu que ela fosse conhecer a cidade; durante essa visita ela teve contato com Cristãos, que lhe contaram sobre os ideais de Jesus sobre o mistério da união da Santíssima Trindade. Pouco tempo depois, um padre vindo de Alexandria lhe deu o Batismo.
Em certa ocasião, seu pai decidiu construir uma casa de banho com duas janelas para Bárbara. Todavia, dias mais tarde, ele viu-se obrigado a fazer uma longa viagem. Enquanto Dióscoro viajava, sua filha ordenou a construção de uma terceira janela na torre, visto que a casa de banho ficaria na torre. Além disso, ela esculpira uma cruz sobre a fonte.
O seu pai Dióscoro, quando voltou, reparou que a torre onde tinha trancado a filha tinha agora três janelas em vez das duas que ele mandara abrir. Ao perguntar à filha o porquê das três janelas, ela explicou-lhe que isso era o símbolo da sua nova Fé. Este facto deixou o pai furioso, pois ela se recusava a seguir a fé dos Deuses do Olimpo.
Debaixo de um impulso e obedecendo à sua fé, o pai denunciou-a ao Prefeito Martiniano. Este mandou-a torturar numa tentativa de a fazer mudar de idéias, fato que não aconteceu. Assim Marcius condenou-a à morte por degolação.
Durante sua tortura em praça pública, uma jovem cristã de nome Juliana denunciou os nomes dos carrascos, e imediatamente foi presa e entregue à morte juntamente com Bárbara.
Ambas foram levadas pelas ruas de Nicomédia por entre os gritos de raiva da multidão. Bárbara teve os seios cortados, depois foi conduzida para fora da cidade onde o seu próprio pai a executou, degolando-a. Quando a cabeça de Bárbara rolou pelo chão, um imenso trovão estourou pelos ares fazendo tremer os céus. Um relâmpago flamejou pelos ares e atravessando o céu fez cair por terra o corpo sem vida de Dióscoro.
Atribuições de Santa Bárbara
Depois deste acontecimento Santa Bárbara passou a ser considerada a protetora contra tempestades, raios, relâmpagos e trovões e é considerada a Padroeira dos artilheiros, dos mineiros e de todos quantos trabalham com fogo.
sábado, 9 de novembro de 2013
Caboclo Pena Verde
História do Caboclo Pena Verde
Certo dia, a sua tribo foi invadida e começou uma guerra sangrenta, Pena Verde, sentiu uma profunda dor nas costas, havia sido alvejado por uma flecha...
É de uma Tribo Asteca, oriunda dos Estados Unidos que veio migrando até chegar na Amazônia, onde se instalou.
Sua aparência: usava calça de couro, tinha cabelos longos e grisalhos e seu penacho, longo, tinha as cores (verde, vermelha e branca) cada cor representada um irmão.
Relatou que para um índio se tornar pagé, tinha que participar de um ritual: caçar e trazer um javali para a tribo;
Quando Pene Verde foi participar deste ritual, tinha mais um adversário, o vencedor seria quem trouxesse a presa primeiro;
Os dois saíram para a missão no mesmo dia. O seu adversário voltou no dia seguinte com um javali abatido.
Pena Verde só retornou após 30 dias, o impressionante é que ele não precisou abater o javali, durante este período ficou observando o comportamento e foi se aproximando até domá-lo. Só então retornou para a tribo. Entrou triunfante, montado no animal!
Tinha dois guerreiros que considerava seus braços, o filho e o sobrinho.
Certo dia, a sua tribo foi invadida e começou uma guerra sangrenta, Pena Verde, sentiu uma profunda dor nas costas, havia sido alvejado por uma flecha, antes de morrer, pediu a Tupã para ver quem era o autor de tamanha atrocidade. Poucos minutos se passaram e ele pode ver seus guerreiros sendo massacrados, mulheres e crianças sofrendo as maiores barbaridades, então virou-se para trás e pode ver que o seu querido sobrinho a quem tinha tanta estima e confiança era o mentor do ataque.
Para que morresse em paz, Pena Verde perdoou seu sobrinho, tirou a flecha das costas e partiu!
Ponto Do Caboclo Pena Verde.
Ele vem lá de Aruanda,
vem de lança e cocar ,
caçador vence demanda,
seu Pena Verde que chegou pra trabalhar,
vem num raio luminoso,
Yansã quem lhe mandou,
índio forte e corajoso,
que o terreiro abençoou,
ele é guerreiro dos filhos é protetor,
de Oxossi é mensageiro,
reina na mata ,é vencedor!
domingo, 3 de novembro de 2013
Nossos Ancestrais
Ogan do Ilê Axé Opô Iyá Nifã, Babalorixa Marivaldo de Oxum, Salvador, Bahia, Brasil
Egun – Nossos antepassados estão de volta ao mundo dos vivos…..
Segundo a tradição do culto dos Eguns, é originário da África, mais precisamente da região de Oyó. O culto de Egungun, é exclusivo de homens, sendo Alápini o cargo mais elevado dentro do culto tendo como auxiliares os Ojés. Todo integrante do culto de Egungun é chamado de Mariwó. Na África, Xangô é considerado a encarnação do Deus primordial do Sol, raios e tempestades, Xangô seria a encarnação de Jakutá, que é considerado a mão de Olorun que pune, o caráter punitivo de Olorun, ele representa o poder de Olorun, tanto que fora enviado ao mundo em criação para estabelecer a ordem entre Oxalá e Oduduá, que são as duas divindades que foram encarregadas, por Olorun, para criação. Desta forma, Xangô é cultuado como um Orixá Egungun, Orixá por ele ser nada mais nada menos que o Orixá da execução, da punição divina e Egungun por ele ter tido sua passagem pela terra como homem e ter se iniciado. Xangô foi o criador do culto de Egungun e ele foi o primeiro Ojé ( Sacerdote do Culto aos Mortos ) e também foi o primeiro Alapini ( Sumo-sacerdote do Culto aos Mortos ) isso é evidenciado em um de seus Orikis que fala:
"Rei do Trovão ( Raios ) Rei do Trovão ( Raios ) Encaminha o Fogo sem errar o alvo ( Alusão aos Raios ), nosso vaidoso Ojé Xangô alcançou o Palácio Real Único que possuiu Oiá Grande líder dos Orixás Rei que conversa no Céu e que possui a honra dos Ojés Rei que conversa no Céu e que possui a honra dos Ojés."
Xangô é o fundador do culto aos Eguns, somente ele tem o poder de controlá-los, como diz um trecho de um Itã:
"Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô a frente, as Iyámi Ajé fizeram roupas iguais as de Egungun, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto, todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou desafiando os supostos espíritos. As Iyámis ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança, em um certo momento em que Xangô estava distraído atendendo seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de Obi, e foi aí que as Iyámis Ajé atacaram, derrubaram a Adubaiyani filha de Xangô que ele mais adorava. Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino que até então era muito próspero, foi até Orunmilá, que lhe disse que Iyami é quem havia matado sua filha, Xangô quiz saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orunmilá lhe disse para fazer oferendas ao Orixá Iku (Oniborun), o guardião da entrada do mundo dos mortos, assim Xangô fez, seguindo a risca os preceitos de Orunmilá.
Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para sí o controle absoluto dos mistérios de Egungun (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos Eguns, e se tornando estritamente proibida a participação de mulheres neste culto, caso essa regra seja desrespeitada provocará a ira de Olorun. Xangô , Iku e dos próprios Eguns, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais."
De quatro em quatro dias (uma semana iorubana), Iku (a Morte) vinha à cidade de Ilê-Ifé munida de um cajado (Òpá iku) e matava
indiscriminadamente as pessoas. Nem mesmo os Orixás podiam com Iku. Um cidadão chamado AmeiyÉgún prometeu salvar as
pessoas. Para tal, confeccionou uma roupa feita com várias tiras de pano, em diversas cores, que escondia todas as partes do seu corpo, inclusive a própria cabeça, e fez sacrifícios apropriados. No dia em que a Morte apareceu, ele e seus familiares vestiram as tais roupas e se esconderam no mercado.
indiscriminadamente as pessoas. Nem mesmo os Orixás podiam com Iku. Um cidadão chamado AmeiyÉgún prometeu salvar as
pessoas. Para tal, confeccionou uma roupa feita com várias tiras de pano, em diversas cores, que escondia todas as partes do seu corpo, inclusive a própria cabeça, e fez sacrifícios apropriados. No dia em que a Morte apareceu, ele e seus familiares vestiram as tais roupas e se esconderam no mercado.
Quando a Morte chegou, eles apareceram pulando, correndo e gritando com vozes inumanas, e ela, apavorada, fugiu deixando cair
seu cajado. Desde então a Morte deixou de atacar os habitantes de Ifé. Os babalawos (adivinhos e sacerdotes de Òrunmilá) disseram a
AmeiyÉgún que ele e seus familiares deveriam adorar e cultuar os mortos por todas as suas gerações, lembrando como eles venceram
a Morte. Égún é a terminação do nome de AmeiyÉgún, e é como hoje são conhecidos os ancestrais do seu clã (Égún ou Égúngún ).
É a vitória da vida pós-morte: como no mito em que a vida venceu a morte, da mesma forma os Égúns se apresentam, hoje, cobertos de
panos e portando um cajado.
seu cajado. Desde então a Morte deixou de atacar os habitantes de Ifé. Os babalawos (adivinhos e sacerdotes de Òrunmilá) disseram a
AmeiyÉgún que ele e seus familiares deveriam adorar e cultuar os mortos por todas as suas gerações, lembrando como eles venceram
a Morte. Égún é a terminação do nome de AmeiyÉgún, e é como hoje são conhecidos os ancestrais do seu clã (Égún ou Égúngún ).
É a vitória da vida pós-morte: como no mito em que a vida venceu a morte, da mesma forma os Égúns se apresentam, hoje, cobertos de
panos e portando um cajado.
Segundo a lenda yourubá…..
Havia na cidade do Oyó um fazendeiro chamado Alapini, que tinha três filhos chamados Ojéwuni, Ojésamni e Ojérinlo. Um dia Alapini foi
viajar e deixou recomendações aos filhos para que colhessem os inhames e os armazenassem, mas que não comessem um tipo
especial de inhame chamado ‘ihobia’, pois ele deixava as pessoas com uma terrível sede. Seus filhos ignoraram o aviso e o comeram
em demasia. Depois, beberam muita água e, um a um, acabaram todos morrendo.
Quando Alapini retornou, encontrou a desgraça em sua casa. Desesperado, correu ao babalawô, que jogou Ifá para ele. O sacerdote disse que ele se acalmasse, e que após o l7º dia fosse ao ribeirão do bosque e executasse o ritual que foi prescrito no jogo. Ele deveria escolher um galho da árvore sagrada àtòrì e fazer um bastão (assim é feito o ixan). Na margem do ribeirão, deveria bater com o bastão na terra e chamar pelos nomes dos seus filhos, que na terceira vez eles apareceriam. Mas ele também não poderia esquecer de antes fazer certos sacrifícios e oferendas. Assim ele o fez, seus filhos apareceram.
Mas eles tinham rostos e corpos estranhos, era então preciso cobrilos para que as pessoas pudessem vê-los sem se assustarem. Pediu
que seus filhos ficassem na floresta e voltou à cidade. Contou o fato ao povo, e as pessoas fizeram roupas para ele vestir seus filhos.
Deste dia em diante ele poderia ver e mostrar seus filhos a outras pessoas, as belas roupas que eles ganharam escondiam perfeitamente sua condição de mortos.
Alapini e seus filhos fizeram um pacto: em um buraco feito na terra pelo seu pai (ojubô), no mesmo local do primeiro encontro (igbo
igbalé), ali seriam feitas as oferendas e os sacrifícios e guardadas as roupas, para que eles as vestissem quando o pai os chamasse
através do ritual do bastão. Seguindo o pacto e as instruções do babalawo, de que sempre que os filhos morressem fosse realizado o
ritual após o l7º dia, pais e filhos para sempre se encontraram. E, para os filhos que ainda não tiverem roupas, é só pedir às pessoas
que elas as farão com imenso prazer.
viajar e deixou recomendações aos filhos para que colhessem os inhames e os armazenassem, mas que não comessem um tipo
especial de inhame chamado ‘ihobia’, pois ele deixava as pessoas com uma terrível sede. Seus filhos ignoraram o aviso e o comeram
em demasia. Depois, beberam muita água e, um a um, acabaram todos morrendo.
Quando Alapini retornou, encontrou a desgraça em sua casa. Desesperado, correu ao babalawô, que jogou Ifá para ele. O sacerdote disse que ele se acalmasse, e que após o l7º dia fosse ao ribeirão do bosque e executasse o ritual que foi prescrito no jogo. Ele deveria escolher um galho da árvore sagrada àtòrì e fazer um bastão (assim é feito o ixan). Na margem do ribeirão, deveria bater com o bastão na terra e chamar pelos nomes dos seus filhos, que na terceira vez eles apareceriam. Mas ele também não poderia esquecer de antes fazer certos sacrifícios e oferendas. Assim ele o fez, seus filhos apareceram.
Mas eles tinham rostos e corpos estranhos, era então preciso cobrilos para que as pessoas pudessem vê-los sem se assustarem. Pediu
que seus filhos ficassem na floresta e voltou à cidade. Contou o fato ao povo, e as pessoas fizeram roupas para ele vestir seus filhos.
Deste dia em diante ele poderia ver e mostrar seus filhos a outras pessoas, as belas roupas que eles ganharam escondiam perfeitamente sua condição de mortos.
Alapini e seus filhos fizeram um pacto: em um buraco feito na terra pelo seu pai (ojubô), no mesmo local do primeiro encontro (igbo
igbalé), ali seriam feitas as oferendas e os sacrifícios e guardadas as roupas, para que eles as vestissem quando o pai os chamasse
através do ritual do bastão. Seguindo o pacto e as instruções do babalawo, de que sempre que os filhos morressem fosse realizado o
ritual após o l7º dia, pais e filhos para sempre se encontraram. E, para os filhos que ainda não tiverem roupas, é só pedir às pessoas
que elas as farão com imenso prazer.
Egungun, espírito ancestral de pessoa importante, homenageado no Culto aos Eguns, esse culto é feito em casas separadas das casas dos Orixás.
A relação de Oyá com Egungun…..
Dentro do Lèsànyìn possui como um dos primeiros assentos fundamentais o de Oya Ìgbàlé, pois é ela que controla o mundo dos mortos, a qual em todas as festas do calendário litúrgico, oferendas e reverências lhe são prestados cujo ápice é o dia de finados no mês de novembro dedicado totalmente a ela, e a todos os seus filhos, os mortos.
Oya Ìgbàlé é no culto aos Égún a única e exclusiva Òrìsà feminina cultuada e venerada pela sociedade dos Égún, composta exclusivamente por homens que contém o segredo em comum da evocação dos Égún, e reverenciada pelos próprios Égún. Inúmeros são os mitos que estabelecem a relação de Oya Ìgbàlé com os Égún. No primeiro deles revela a origem de Égún como filho de Oya vinculando a seu tabu alimentar:
Oya Ìgbàlé é no culto aos Égún a única e exclusiva Òrìsà feminina cultuada e venerada pela sociedade dos Égún, composta exclusivamente por homens que contém o segredo em comum da evocação dos Égún, e reverenciada pelos próprios Égún. Inúmeros são os mitos que estabelecem a relação de Oya Ìgbàlé com os Égún. No primeiro deles revela a origem de Égún como filho de Oya vinculando a seu tabu alimentar:
Oiá lamentava-se de não ter filhos. Esta triste situação era conseqüência da ignorância a respeito de suas proibições
alimentares. Embora a carne de cabra lhe fosse recomendada, ela comia a de carneiro. Oiá consultou um babalaô, que lhe revelou o
seu erro, aconselhando-a a fazer oferendas, entre as quais deveria haver um tecido vermelho. Este pano, mais tarde, haveria de servir
para confeccionar as vestimentas dos Égúngún.
Tendo comprido essa obrigação, Oiá tornou-se mãe de nove crianças, o que se exprime em ioruba pela frase: ‘’Iyá Omo mésàn’’,
origem de seu nome Iansã. Assim que a roupa de Égúngún foi criada, formou-se, em torno dessa ‘’novidade’’, uma sociedade
composta exclusivamente de mulheres com o objetivo de enfrentar a preponderância dos homens. Mas elas exageraram e aproveitaramse da confusão provocada pela aparição dos Égúngún, nas ruas da cidade, para enganar impunemente seus maridos. Estes, exasperados, conseguiram descobrir seu segredo, apoderaram-se da sociedade e reservaram-na aos homens, delas excluindo as
mulheres para sempre. (VERGER, 2002, p. 168 a 170)
alimentares. Embora a carne de cabra lhe fosse recomendada, ela comia a de carneiro. Oiá consultou um babalaô, que lhe revelou o
seu erro, aconselhando-a a fazer oferendas, entre as quais deveria haver um tecido vermelho. Este pano, mais tarde, haveria de servir
para confeccionar as vestimentas dos Égúngún.
Tendo comprido essa obrigação, Oiá tornou-se mãe de nove crianças, o que se exprime em ioruba pela frase: ‘’Iyá Omo mésàn’’,
origem de seu nome Iansã. Assim que a roupa de Égúngún foi criada, formou-se, em torno dessa ‘’novidade’’, uma sociedade
composta exclusivamente de mulheres com o objetivo de enfrentar a preponderância dos homens. Mas elas exageraram e aproveitaramse da confusão provocada pela aparição dos Égúngún, nas ruas da cidade, para enganar impunemente seus maridos. Estes, exasperados, conseguiram descobrir seu segredo, apoderaram-se da sociedade e reservaram-na aos homens, delas excluindo as
mulheres para sempre. (VERGER, 2002, p. 168 a 170)
O segundo o mito também revela a origem de Égún, mas como sendo o nono filho de Oya ressaltando todo o seu poderoso poder genitor:
Oía não podia ter filhos. Procurou o conselho de um babalaô. Ele revelou-lhe que somente teria filhos quando fosse possuída por um
homem com violência. Um dia Xangô a possuiu assim e dessa relação Oiá teve nove filhos. Desses filhos, oito nasceram mudos.
Oiá procurou novamente o babalaô. Ele recomendou que ela fizesse oferendas. Tempo depois nasceu um filho que não era mudo, mas
tinha uma voz estranha, rouca, profunda, cavernosa. Esse filho foi Égúngum, o antepassado que fundou cada família. Foi Égúngum, o
ancestral que fundou cada cidade. Hoje, quando Égúngum volta para dançar entre seus descendentes, usando suas ricas máscaras
e roupas coloridas, somente diante de uma mulher ele se curva. Somente diante de Oiá se curva Égúngum. (PRANDI, 2005, p. 309).
homem com violência. Um dia Xangô a possuiu assim e dessa relação Oiá teve nove filhos. Desses filhos, oito nasceram mudos.
Oiá procurou novamente o babalaô. Ele recomendou que ela fizesse oferendas. Tempo depois nasceu um filho que não era mudo, mas
tinha uma voz estranha, rouca, profunda, cavernosa. Esse filho foi Égúngum, o antepassado que fundou cada família. Foi Égúngum, o
ancestral que fundou cada cidade. Hoje, quando Égúngum volta para dançar entre seus descendentes, usando suas ricas máscaras
e roupas coloridas, somente diante de uma mulher ele se curva. Somente diante de Oiá se curva Égúngum. (PRANDI, 2005, p. 309).
Portanto, este mito revela porque Oya Ìgbàlé é cultuada ao lado dos Égún, pois ela é a /senhora dos nove Òrun, simbolizados pelos nove filhos do mito dos quais os oitos primeiros representam os Àra-òrun, os habitantes do Òrun, e o nono representa os Égún vinculando
também a sua forma de falar característica. Oya Ìgbàlé também é herdeira do principio poder feminino, o segredo da gestação, da criação da vida, pertence à esfera do sangue vermelho, do àsé, que é à base de origem de Égún.
também a sua forma de falar característica. Oya Ìgbàlé também é herdeira do principio poder feminino, o segredo da gestação, da criação da vida, pertence à esfera do sangue vermelho, do àsé, que é à base de origem de Égún.
O terceiro mito descreve como Oya Ìgbàlé cria a sociedade dos Égún, e também as origens das roupas, a forma de falar rouca e cavernosa como o do macaco marrom da Nigéria, o Ijimeré (SANTOS, Deoscoredes M, 1981, p.183), de agir e de dominar os Égún, assim como o culto aos Égún e sua sociedade foram tomadas das mulheres pelos homens:
No começo do mundo, a mulher intimidava o homem desse tempo, e o manejava com o dedo mindinho. É por isso que Oya (conhecida
mais comumente nos cultos afro-brasileiros sob o nome de Iyansan) foi a primeira a inventar o segredo ou a maçonaria dos Égúngún
, sob todos os seus aspectos. Assim, quando as mulheres queriam humilhar seus maridos, reuniam-se numa encruzilhada sob a
direção de Iyasa. Ela já estava ali com um macaco que tinha domado, preparado com roupas apropriadas ao pé do tronco de um
igi, árvore, para ele fazer o que fosse determinado por Iyansan por meio de uma vara que ela segurava na mão, conhecida com o nome
de isan.
Depois de cerimônia especial, o macaco aparecia e desempenhava seu papel seguindo as ordens de Iyasan. Isso se dava diante dos
homens que fugiam aterrorizados por causa dessa aparição. Finalmente, um dia, os homens resolveram tomar providências para
acabar com a vergonha de viverem continuamente sob o domínio das mulheres. Decidiram então ir a Òrunmilá (deus do oráculo de
Ifá) a fim de consultar Ifá para saber que poderiam fazer para remediar uma tal situação.
Depois de ter consultado o oráculo, Òrunmilá lhes explicou tudo o que estava acontecendo e que eles deveriam fazer. Em seguida ele
mandou Ogun fazer uma oferenda, ebo, compreendendo galos, uma roupa, uma espada, um chapéu usado, na encruzilhada, ao pé da
referida árvore, antes que as mulheres se reunissem. Dito e feito, Ogun chegou bem cedo a encruzilhada e fez o preceito com os
galos de acordo com o que Òrunmilá ordenou. Em seguida, ele pôs a roupa, o chapéu e pegou a espada em sua mão. Mais tarde,
durante o dia, quando as mulheres chegaram e se reuniram para celebrar os ritos habituais, de repente, viram aparecer uma forma
terrificante. A aparição era tão terrível que a principal das mulheres, isto é, que estava a frente, Iyasan, foi a primeira a fugir. Graças a
força e poder que tinha, ela desapareceu para sempre da face da terra.
Assim, depois desta época, os homens dominaram as mulheres e são senhores absolutos do culto. Proibiram e proíbem sempre as
mulheres penetrar no segredo de toda a sociedade de tipo maçônico. Mas, segundo o provérbio, é a exceção que faz a regra,
os raros exemplos de sociedades secretas as quais eram autorizadas a participar em território Yorubá continuaram a existir
em circunstancias especiais. Isso explica por que Iyasan-Oya é adorada e venerada por todos na qualidade de Rainha e Fundadora
da Sociedade secreta dos Égúngún na terra. (SANTOS, Juana, 1998, p. 122 a 123).
mais comumente nos cultos afro-brasileiros sob o nome de Iyansan) foi a primeira a inventar o segredo ou a maçonaria dos Égúngún
, sob todos os seus aspectos. Assim, quando as mulheres queriam humilhar seus maridos, reuniam-se numa encruzilhada sob a
direção de Iyasa. Ela já estava ali com um macaco que tinha domado, preparado com roupas apropriadas ao pé do tronco de um
igi, árvore, para ele fazer o que fosse determinado por Iyansan por meio de uma vara que ela segurava na mão, conhecida com o nome
de isan.
Depois de cerimônia especial, o macaco aparecia e desempenhava seu papel seguindo as ordens de Iyasan. Isso se dava diante dos
homens que fugiam aterrorizados por causa dessa aparição. Finalmente, um dia, os homens resolveram tomar providências para
acabar com a vergonha de viverem continuamente sob o domínio das mulheres. Decidiram então ir a Òrunmilá (deus do oráculo de
Ifá) a fim de consultar Ifá para saber que poderiam fazer para remediar uma tal situação.
Depois de ter consultado o oráculo, Òrunmilá lhes explicou tudo o que estava acontecendo e que eles deveriam fazer. Em seguida ele
mandou Ogun fazer uma oferenda, ebo, compreendendo galos, uma roupa, uma espada, um chapéu usado, na encruzilhada, ao pé da
referida árvore, antes que as mulheres se reunissem. Dito e feito, Ogun chegou bem cedo a encruzilhada e fez o preceito com os
galos de acordo com o que Òrunmilá ordenou. Em seguida, ele pôs a roupa, o chapéu e pegou a espada em sua mão. Mais tarde,
durante o dia, quando as mulheres chegaram e se reuniram para celebrar os ritos habituais, de repente, viram aparecer uma forma
terrificante. A aparição era tão terrível que a principal das mulheres, isto é, que estava a frente, Iyasan, foi a primeira a fugir. Graças a
força e poder que tinha, ela desapareceu para sempre da face da terra.
Assim, depois desta época, os homens dominaram as mulheres e são senhores absolutos do culto. Proibiram e proíbem sempre as
mulheres penetrar no segredo de toda a sociedade de tipo maçônico. Mas, segundo o provérbio, é a exceção que faz a regra,
os raros exemplos de sociedades secretas as quais eram autorizadas a participar em território Yorubá continuaram a existir
em circunstancias especiais. Isso explica por que Iyasan-Oya é adorada e venerada por todos na qualidade de Rainha e Fundadora
da Sociedade secreta dos Égúngún na terra. (SANTOS, Juana, 1998, p. 122 a 123).
Mas o cargo de detentora e senhora do mundo dos mortos e de todos os seus habitantes foi um presente dado por Obaluaê, filho de Nanã Buruku, e como tal o senhor original do mundo dos mortos, foi dado em sinal de gratidão a Oya pelos seus feitos durante as festas, o sirê dos Òrìsà, como conta os dois mitos seguintes:
Chegando de viagem a aldeia onde nascera, Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa coma presença de todos os Orixás.
Obaluaê não podia entrar na festa, devido a sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas fretas do terreiro. Ogum,
ao perceber a angustia do Orixá, cobriu-lhe com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria
dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo
do olho. Ela compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do
barracão. O xirê estava animado. Os Orixás dançavam alegremente com suas equedes. Iansã chegou então bem perto dele e soprou
suas roupas de mariô, levantando as palhas que cobriam suas pestilência. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de
Obaluaê pulavam para o alto, transformadas numa chuva de pipoca, que se espelharam brancas pelo barracão. Obaluaê, o deus das
doenças, transformou-se em um jovem, num jovem belo e encantador. Obaluaê e Iansã Igbalé tornaram-se grandes amigos e
reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os
homens. (PRANDI, 2005, p. 206).
Certa vez houve uma festa com todas as divindades presentes. Obaluaê chegou vestido seu capucho de palha. Ninguém o podia
reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele. Só Oiá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra. Tanto
girava Oiá na sua dança que provocava o vento. E o vento de Oiá levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê. Para a surpresa
de todos era um belo homem. O povo o aclamou por sua beleza. Obaluaê ficou mais que contente com a festa, ficou grato. E, em
recompensa, dividiu com ela o seu reino. Fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos, Rainha que é Oiá Igbalé, a condutora dos
Égúns. Oiá então dançou e dançou de alegria. Para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dança agora, agita no ar o
inruquerê, o espanta-mosca com que afasta os Égúns para o outro mundo. Rainha Oiá Igbalé, a condutora dos espíritos. Rainha que foi
sempre a grande paixão de Omulu. (PRANDI, 2005, p. 308).
No Lèsànyìn encontram-se os dois elementos litúrgicos essenciais do culto: assentos individuais e específicos de cada Égún Àgbà, os Égún mais antigos, devidamente preparados para serem invocados individualmente, pois foram realizados e compridos todos
os rituais de preparação para a sua invocação antes da morte do Ojé Àgbá e durante os sete anos após o falecimento deles, que será o novo Égún a ser cultuado; e o assento que é a representação coletiva dos ancestrais, de todos os mortos, os òku-òrun, o chamado Òpá-
Kòko. Os assentos individuais dos Égún Àgbá do Lèsànyìn são assim descritos:
Obaluaê não podia entrar na festa, devido a sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas fretas do terreiro. Ogum,
ao perceber a angustia do Orixá, cobriu-lhe com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria
dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo
do olho. Ela compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do
barracão. O xirê estava animado. Os Orixás dançavam alegremente com suas equedes. Iansã chegou então bem perto dele e soprou
suas roupas de mariô, levantando as palhas que cobriam suas pestilência. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de
Obaluaê pulavam para o alto, transformadas numa chuva de pipoca, que se espelharam brancas pelo barracão. Obaluaê, o deus das
doenças, transformou-se em um jovem, num jovem belo e encantador. Obaluaê e Iansã Igbalé tornaram-se grandes amigos e
reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os
homens. (PRANDI, 2005, p. 206).
Certa vez houve uma festa com todas as divindades presentes. Obaluaê chegou vestido seu capucho de palha. Ninguém o podia
reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele. Só Oiá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra. Tanto
girava Oiá na sua dança que provocava o vento. E o vento de Oiá levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê. Para a surpresa
de todos era um belo homem. O povo o aclamou por sua beleza. Obaluaê ficou mais que contente com a festa, ficou grato. E, em
recompensa, dividiu com ela o seu reino. Fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos, Rainha que é Oiá Igbalé, a condutora dos
Égúns. Oiá então dançou e dançou de alegria. Para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dança agora, agita no ar o
inruquerê, o espanta-mosca com que afasta os Égúns para o outro mundo. Rainha Oiá Igbalé, a condutora dos espíritos. Rainha que foi
sempre a grande paixão de Omulu. (PRANDI, 2005, p. 308).
No Lèsànyìn encontram-se os dois elementos litúrgicos essenciais do culto: assentos individuais e específicos de cada Égún Àgbà, os Égún mais antigos, devidamente preparados para serem invocados individualmente, pois foram realizados e compridos todos
os rituais de preparação para a sua invocação antes da morte do Ojé Àgbá e durante os sete anos após o falecimento deles, que será o novo Égún a ser cultuado; e o assento que é a representação coletiva dos ancestrais, de todos os mortos, os òku-òrun, o chamado Òpá-
Kòko. Os assentos individuais dos Égún Àgbá do Lèsànyìn são assim descritos:
Os assentos individuais dos Égún são continentes de barro com larga boca que contém uma mistura de barro e àse, de folhas e
outros elementos, especifica para cada Égún que enche totalmente o interior, transbordando do recipiente, formando um montículo
incrustados de cauris. Esses ‘’assentos’’ individuais estão dispostos sobre um banco feito de terra, baixo e estreito, chamado pepele.
(SANTOS, Juana, 1998, p. 203).
outros elementos, especifica para cada Égún que enche totalmente o interior, transbordando do recipiente, formando um montículo
incrustados de cauris. Esses ‘’assentos’’ individuais estão dispostos sobre um banco feito de terra, baixo e estreito, chamado pepele.
(SANTOS, Juana, 1998, p. 203).
No Brasil o principal culto à Egungun é praticado na Ilha de Itaparica no estado da Bahia mas existem casas em outros estados brasileiros.
Normalmente chamado de Babá (pai) Egun, Babá-Egun. Também pode ser referido como Êssa nome dos ancestrais fundadores do Aramefá de Oxossi (conselho de Oxóssi, composto de seis pessoas). Ou Esa espírito dos adoxu e dignitários do egbe (casa).
Os nagôs, cultuam os espíritos dos mais velhos de diversas formas, de acordo com a hierarquia que tiveram dentro da comunidade e com a sua atuação em pról da preservação e da transmissão dos valores culturais. E só os espíritos especialmente preparados para serem invocados e materializados é que recebem o nome Egun, Egungun, Babá Egun ou simplesmente Babá (pai), sendo objeto desse culto todo especial.
Porque o objetivo principal do Culto dos Egun é tornar visível os espíritos dos ancetrais, agindo como uma ponte, um veículo, um elo entre os vivos e seus antepassados. E ao mesmo tempo que mantém a continuidade entre a vida e a morte, o culto mantém estrito controle das relações entre os vivos e mortos, estabelecendo uma distinção bem clara entre os dois mundos: o dos vivos e o dos mortos (os dois níveis da existência).
Assim, os Babá trazem para seus descendentes e fiéis suas bênçãos e seus conselhos mas não podem ser tocados, e ficam sempre isolados dos vivos. Suas presença é rigorosamente controlada pelos Ojé (sacerdotes do culto) e ninguém pode se aproximar deles.
Os Egungun se materializam, aparecendo para os descendentes e fiéis de uma forma espetacular, em meio a grandes cerimônias e festas, com vestes muito ricas e coloridas, com símbolos característicos que permitem estabelecer sua hierarquia.
Os Babá Egun ou Egun Agbá (os ancestrais mais antigos) se destacam por estar cobertos com uma roupa específica do Egun — chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia, são enfeitadas com búzios, espelhos e contas e por um conjunto de tiras de pano bordadas e enfeitadas que é chamado Abalá, além de uma espécie de avental chamado Bantê, e por emitirem uma voz característica, gutural ou muito fina.
Os Aparaká são Egun mais jovens: não têm Abalá nem Bantê e nem uma forma definida; e são ainda mudos e sem identidade revelada, pois ainda não se sabe quem foram em vida.
Acredita-se, então, que sob as tiras de pano encontra-se um ancestral conhecido ou, se ele não é reconhecível, qualquer coisa associada à morte. Neste último caso, o Egungun representa ancestrais coletivos que simbolizam conceitos morais e são os mais respeitados e temidos entre todos os Egungun, guardiães que são da ética e da disciplina moral do grupo.
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