Fazer login

seguidoes

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Oriki - Invocacao




Oriki - Invocacao

Oriki - Invocacao
A palavra Oriki, é formada por duas palavras, Ori = Cabeça e KI = Louvar / saudar.
Então Oriki significa, saudar ou louvar a algo que estamos nos referindo.
Sendo as palavras portadoras de força e asè, dá-se aos orikis o poder de invocarem por si próprios a força vital.
Com a importância a ele atribuída, sua entonação sempre emociona as pessoas a quem são dirigidos. Falam de seus feitos e virtudes, suas características e fraquezas, tendo assim valor documental, pois registrou e registra passagens importantes da cultura tradicional Yorubá.
Usamos os orikis por várias razões, direcionados a um òrìsá, egungun, entes queridos, casamentos, komojade, relatam episódios de bênçãos, ressaltam animais e plantas. Quando referido a òrìsá, enfatizam-se suas qualidades e realizações, pois tais chamamentos acreditam-se, tornam-se infalivelmente ouvidos e as oferendas recebidas.
Assim sendo, servem para louvar e pedir auxilio do ALTO.
Os òrisas podem receber o oriki ou o pipe (chamado): oriki Sòngo ou Sòngo pipe, oriki Esù ou Esù pipe, oriki Òyà ou Òyà pipe. Para outros òrìsá usamos apenas o termo oriki, Yemonja, Òba, Òsun e etc.. Estes são devidamente somente alguns exemplos.
Os orikis são repetitivos em algumas palavras, citamos como exemplo os orikis de Sòngo que incluem: Olukoso, e Òba Koso ( orei que não se enforcou), Alado (aquele que racha pilão), Ogiri èkun (leopardo feroz), Asangiri (aquele que racha parede), Alagiri (aquele que abre paredes), Alafin Òyò ( rei de Òyò). Os relativos à Òyà são:
Òyà oriri (o vendaval), Ti ndagi lokeloke ( a que corta a copa das árvores), Òyà ariná bora bi aso (Òyà vestida de fogo). Os de Òsun relatam: A fide rémó ( a que enfeita seus filhos com braceletes de bronze), O wa yanrin wa yanrin kowo si ( a que cava e cava a areia para esconder suas riquezas). Os relativos à Òba incluem: O jowu obirin ( a mulher ciumenta), To t’Ori owu kòla si gbogbo ara ( a que por ciúmes se cobriu de incisões ornamentais).
Tanto os sacrifícios como os orikis são primordiais para que se tenha a presença do orisa ou dos ancestrais e sua entonação pode facilmente induzir ao tranze. Pessoas iniciadas no culto a determinado orisa podem entrar neste transe ao ouvir esta recitação.
Oriki-orilè é a denominação de orikis referentes ás linhagens. Pode ser dirigida a família ou a um de seus membros, com o intuito de louvar seus ancestrais, demonstrar apreço ou aplacar sua ira.
Usado para rememorá-los e dar conhecimento aos mais novos dos feitos de seus antepassados.
Orikis deste tipo não usados para causar emoções apenas louvamos o reconhecimento dos predicados dos antepassados, onde enfatizamos sua profissão, gosto alimentar e outras de suas particularidades.
Esta modalidade é usual entre os Yorubas, quando temos eventos como casamentos, komojade, inauguração de casa, ritos fúnebres e etc..
Existem pessoas especializadas nestes oriki-orilé, que sempre são convidadas para fazer estas recitações.
Os nascimentos têm um oriki diferenciado, chamado de oriki amutòrunwa, que narram as circunstancias do nascimento da criança. Os gêmeos são saudados com oriki-orilè e oriki amutòrunwa, especialmente dedicados a eles.
Nos funerais de anciãos os oriki-orilè são entoados pelas mulheres e no caso de caçadores se faz o mesmo.
Nota-se que estes chamados são para invocar a presença do homenageado.
Em caso de viagens são entoados em forma de benção relembrando suas profissões, motivo da viagem e Ewó  (interdições).
Lembramos, porém, que existe uma relação entre oriki-orilè e Ila-oju (marcas faciais), ambos servem para identificar suas linhagens, constituindo sinais de identidade familiar.
Sabemos que animais, cidades, povos, terras possuem orikis próprios, que por vezes são acompanhados de tambores tais como: bata, bembé, gangan, ogidigbo, igbin, gbèdu e etc. Convém que faça-mos uma breve referência a esses tambores. A seu respeito, diz, J. Ki-Zerbo, veículos da história falada, esses instrumentos são venerados e sagrados. Com efeito, incorporam-se ao artista e seu lugar é tão importante na mensagem que, graças às línguas tonais, a música torna-se diretamente inteligível, transformando-se o instrumento na voz do artista sem que este tenha que pronunciar uma palavra se quer. O tríplice ritmo, tonal, de intensidade e de duração, faz-se então, musica significante. A musica está tão intimamente ligada a essa tradição que narrativas somente podem ser feitas sob a forma cantada.
Assim sendo temos: Bata, tambor sagrado tocado com dois atori, é usado no culto dos òrìsá, sendo o preferido de Sòngo.
Bèmbè, tocado com um único atori, é o preferido de Òsun.
Ogidigbo e gangan, são tambores sagrados, sendo este ultimo pendurado no ombro e tocado com um atori, usado para marcar a cadência dos cânticos rituais.
Igbin, usado para acompanhar cantos e outros fundamentos do orisá OBATALÁ, divindade sagrada que modela o corpo do homem.
Gbèdu, usado somente para anunciar a morte de um Oba (rei).
Entoados com finalidade religiosa ou não, o simples ouvir de um oriki impõem silencio, compenetração e respeito dos presentes.
Iba se òrìsá.

domingo, 8 de dezembro de 2013

QUEM PERDE O CORPO Eh A LINGUA

Folclore Quimbundo – Angola

Quem perde o corpo é a língua

Conta-se em Angola que há muito tempo um caçador, voltando para sua aldeia, encontrou uma caveira num oco de pau. Assustado, olhou desconfiadamente de um lado para o outro, temendo alguma armadilha ou uma das muitas artimanhas dos espíritos que faziam da floresta seu lar. Mesmo ainda muito espantado, tomou coragem e se aproximou para observar. Nesse momento, a Caveira chamou-o e pediu:
— Chegue mais perto, caçador, que eu não mordo,
não! Mas quem diz que ele a atendeu. Mais desconfiado do que propriamente assustado, o caçador ficou onde estava e somente depois de mais algum tempo juntou um restinho de coragem e perguntou:
— Quem a pôs nesse lugar, Caveira?
— Foi a Morte, caçador — apressou-se ela a responder.
— E quem a matou?
Enigmática, os olhos brilhando nas órbitas vazias, a
Caveira voltou a responder:
— Quem perde o corpo é a língua!…
O caçador voltou para casa e contou aos companheiros o que acontecera. Ninguém acreditou, mas conversa
vai, conversa vem a história da Caveira que falava no meio da floresta foi se espalhando, espalhando, até que
muita gente dela falava.
Dias mais tarde o caçador passou pelo mesmo pedaço escuro e sombrio da floresta e tornou a ver a Caveira no mesmo lugar, ajeitada caprichosamente num oco de uma enorme e igualmente assustadora árvore.
Tornou a fazer as mesmas perguntas e, como era de esperar, ouviu as mesmas respostas. Mais que depressa o caçador correu para a aldeia e, todo orgulhoso de si mesmo, pois afinal era o único que encontrava e conversava com a misteriosa Caveira, teimou em contar a história aos companheiros. A verdade é que tanto ele contou que muitos começaram a ficar com raiva dele… afinal de contas, que Caveira era aquela que só falava com ele?
E por quê? Seria mentira?
Por fim, acabaram dizendo:
— Vamos ver essa tal Caveira de que fala tanto, mas ouça bem: se ela não disser coisa alguma que se pareça com tudo isso que você tem dito a nós, vamos lhe dar lá mesmo a maior surra de pau que você já levou pra deixar de ser mentiroso, ouviu bem? Certo que a Caveira não o decepcionaria, mais do que depressa o caçador os conduziu até a sua estranha companheira.
Vendo-a, apressou-se em lhe fazer as tais perguntas de que tanto falara, mas a Caveira não murmurou sequer qualquer coisa. Calada estava, calada ficou. Mais o caçador perguntava e mais ela ficava calada. Nem um “ai”, quanto mais uma resposta.
Diante dos olhares ameaçadores dos companheiros, ele ainda tentou argumentar, dizer qualquer coisa, encontrar um jeito de…
Mas ninguém quis saber de conversa e muito menos de explicação. Caíram sobre ele com toda a raiva do mundo e deram-lhe uma grande surra. A maior que já levara. Foram embora reclamando muito e gritando:
— Mentiroso!
Pobre caçador!
Todo machucado, o corpo dolorido, ficou estirado no chão, gemendo. Só com muito esforço, conseguiu forças para ficar de pé. Quando finalmente conseguiu se levantar, olhou cheio de raiva para a Caveira
e resmungou:
— Olha bem, coisa do diabo, o que fez comigo! Os olhos dela cintilaram quase zombeteiramente e, depois de algum tempo, ela afirmou:
— Quem perde o corpo é a língua, meu amigo, é a
língua…
E cá entre nós, com toda razão!
O caçador, bem machucado, foi para casa e, dessa vez, calou-se, guardando para si aquilo que somente
ele ouvira. Mukuendangó, Mukúfuangó, Mukuzuelangó, Mukuiangó. (Por andar à toa, morre-se à toa; por
falar à toa, vai-se à toa!)
Júlio Emilio Braz

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Historia De Santa Barbara

História de Santa Bárbara




História de Santa Bárbara
Santa Bárbara é uma Santa Cristã comemorada na Igreja Católica Romana e na Igreja Ortodoxa, que foi uma virgem mártir no século terceiro.
Comemora-se no dia 4 de Dezembro de cada ano.
Santa Bárbara foi uma jovem nascida na cidade de Nicomédia (na região da Bitínia), atual Izmit, Turquia nas margens do Mar de Mármara, isto nos fins do século III da Era Cristã. Esta jovem era a filha única de um rico e nobre habitante desta cidade do Império Romano chamado Dióscoro.
Por ser filha única e com receio de deixar a filha no meio da sociedade corrupta daquele tempo, Dióscoro decidiu fechá-la numa torre. Santa Bárbara na sua solidão, tinha a mata virgem como quintal, e questionava-se, se de fato, tudo aquilo era criação dos ídolos que aprendera a cultuar com seus tutores naquela torre. Por ser muito bela, não lhe faltavam pretendentes para casamentos, mas Bárbara não aceitava nenhum.
Desconcertado diante da cidade, Dióscoro estava convencido que as “desfeitas” da filha justificavam-se pelo fato dela ter ficado trancada muitos anos na torre. Então, ele permitiu que ela fosse conhecer a cidade; durante essa visita ela teve contato com Cristãos, que lhe contaram sobre os ideais de Jesus sobre o mistério da união da Santíssima Trindade. Pouco tempo depois, um padre vindo de Alexandria lhe deu o Batismo.
Em certa ocasião, seu pai decidiu construir uma casa de banho com duas janelas para Bárbara. Todavia, dias mais tarde, ele viu-se obrigado a fazer uma longa viagem. Enquanto Dióscoro viajava, sua filha ordenou a construção de uma terceira janela na torre, visto que a casa de banho ficaria na torre. Além disso, ela esculpira uma cruz sobre a fonte.
O seu pai Dióscoro, quando voltou, reparou que a torre onde tinha trancado a filha tinha agora três janelas em vez das duas que ele mandara abrir. Ao perguntar à filha o porquê das três janelas, ela explicou-lhe que isso era o símbolo da sua nova Fé. Este facto deixou o pai furioso, pois ela se recusava a seguir a fé dos Deuses do Olimpo.
Debaixo de um impulso e obedecendo à sua fé, o pai denunciou-a ao Prefeito Martiniano. Este mandou-a torturar numa tentativa de a fazer mudar de idéias, fato que não aconteceu. Assim Marcius condenou-a à morte por degolação.
Durante sua tortura em praça pública, uma jovem cristã de nome Juliana denunciou os nomes dos carrascos, e imediatamente foi presa e entregue à morte juntamente com Bárbara.
Ambas foram levadas pelas ruas de Nicomédia por entre os gritos de raiva da multidão. Bárbara teve os seios cortados, depois foi conduzida para fora da cidade onde o seu próprio pai a executou, degolando-a. Quando a cabeça de Bárbara rolou pelo chão, um imenso trovão estourou pelos ares fazendo tremer os céus. Um relâmpago flamejou pelos ares e atravessando o céu fez cair por terra o corpo sem vida de Dióscoro.
Atribuições de Santa Bárbara
Depois deste acontecimento Santa Bárbara passou a ser considerada a protetora contra tempestades, raios, relâmpagos e trovões e é considerada a Padroeira dos artilheiros, dos mineiros e de todos quantos trabalham com fogo.



sábado, 9 de novembro de 2013

Caboclo Pena Verde

História do Caboclo Pena Verde







Certo dia, a sua tribo foi invadida e começou uma guerra sangrenta, Pena Verde, sentiu uma profunda dor nas costas, havia sido alvejado por uma flecha...
É de uma Tribo Asteca, oriunda dos Estados Unidos que veio migrando até chegar na Amazônia, onde se instalou.
Sua aparência: usava calça de couro, tinha cabelos longos e grisalhos e seu penacho, longo, tinha as cores (verde, vermelha e branca) cada cor representada um irmão.
Relatou que para um índio se tornar pagé, tinha que participar de um ritual: caçar e trazer um javali para a tribo;
Quando Pene Verde foi participar deste ritual, tinha mais um adversário, o vencedor seria quem trouxesse a presa primeiro;
Os dois saíram para a missão no mesmo dia. O seu adversário voltou no dia seguinte com um javali abatido.
Pena Verde só retornou após 30 dias, o impressionante é que ele não precisou abater o javali, durante este período ficou observando o comportamento e foi se aproximando até domá-lo. Só então retornou para a tribo. Entrou triunfante, montado no animal!
Tinha dois guerreiros que considerava seus braços, o filho e o sobrinho.
Certo dia, a sua tribo foi invadida e começou uma guerra sangrenta, Pena Verde, sentiu uma profunda dor nas costas, havia sido alvejado por uma flecha, antes de morrer, pediu a Tupã para ver quem era o autor de tamanha atrocidade. Poucos minutos se passaram e ele pode ver seus guerreiros sendo massacrados, mulheres e crianças sofrendo as maiores barbaridades, então virou-se para trás e pode ver que o seu querido sobrinho a quem tinha tanta estima e confiança era o mentor do ataque.
Para que morresse em paz, Pena Verde perdoou seu sobrinho, tirou a flecha das costas e partiu!

Ponto Do Caboclo Pena Verde.
Ele vem lá de Aruanda,
vem  de lança e cocar ,
caçador vence demanda,
seu Pena Verde que chegou pra trabalhar,
vem num raio luminoso,
Yansã quem lhe mandou,
índio forte e corajoso,
que  o terreiro abençoou,
ele é guerreiro dos filhos é protetor,
de Oxossi é mensageiro,
reina na mata ,é vencedor!

domingo, 3 de novembro de 2013

Nossos Ancestrais


Egun – Nossos antepassados estão de volta ao mundo dos vivos…..


babaegun
Segundo a tradição do culto dos Eguns, é originário da África, mais precisamente da região de Oyó.  O culto de Egungun, é exclusivo de homens, sendo Alápini o cargo mais elevado dentro do culto tendo como auxiliares os Ojés. Todo integrante do culto de Egungun é chamado de Mariwó. Na África, Xangô é considerado a encarnação do Deus primordial do Sol, raios e tempestades, Xangô seria a encarnação de Jakutá, que é considerado a mão de Olorun que pune, o caráter punitivo de Olorun, ele representa o poder de Olorun, tanto que fora enviado ao mundo em criação para estabelecer a ordem entre Oxalá e Oduduá, que são as duas divindades que foram encarregadas, por Olorun, para criação. Desta forma, Xangô é cultuado como um Orixá Egungun, Orixá por ele ser nada mais nada menos que o Orixá da execução, da punição divina e Egungun por ele ter tido sua passagem pela terra como homem e ter se iniciado. Xangô foi o criador do culto de Egungun e ele foi o primeiro Ojé   ( Sacerdote do Culto aos Mortos ) e também foi o primeiro Alapini ( Sumo-sacerdote do Culto aos Mortos ) isso é evidenciado em um de seus Orikis que fala:
Babá Egun Ilha de Itaparica BA (Foto Pierre Verge)
"Rei do Trovão ( Raios ) Rei do Trovão ( Raios ) Encaminha o Fogo sem errar o alvo ( Alusão aos Raios ), nosso vaidoso Ojé Xangô alcançou o Palácio Real Único que possuiu Oiá Grande líder dos Orixás Rei que conversa no Céu e que possui a honra dos Ojés Rei que conversa no Céu e que possui a honra dos Ojés."
Xangô é o fundador do culto aos Eguns, somente ele tem o poder de controlá-los, como diz um trecho de um Itã:
"Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô a frente, as Iyámi Ajé fizeram roupas iguais as de Egungun, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto, todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou desafiando os supostos espíritos. As Iyámis ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança, em um certo momento em que Xangô estava distraído atendendo seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de Obi, e foi aí que as Iyámis Ajé atacaram, derrubaram a Adubaiyani filha de Xangô que ele mais adorava. Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino que até então era muito próspero, foi até Orunmilá, que lhe disse que Iyami é quem havia matado sua filha, Xangô quiz saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orunmilá lhe disse para fazer oferendas ao Orixá Iku (Oniborun), o guardião da entrada do mundo dos mortos, assim Xangô fez, seguindo a risca os preceitos de Orunmilá.
egun-atokun_g
Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para sí o controle absoluto dos mistérios de Egungun (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos Eguns, e se tornando estritamente proibida a participação de mulheres neste culto, caso essa regra seja desrespeitada provocará a ira de Olorun. Xangô , Iku e dos próprios Eguns, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais."
De quatro em quatro dias (uma semana iorubana), Iku (a Morte) vinha à cidade de Ilê-Ifé munida de um cajado (Òpá iku) e matava
indiscriminadamente as pessoas. Nem mesmo os Orixás podiam com Iku. Um cidadão chamado AmeiyÉgún prometeu salvar as
pessoas. Para tal, confeccionou uma roupa feita com várias tiras de pano, em diversas cores, que escondia todas as partes do seu corpo, inclusive a própria cabeça, e fez sacrifícios apropriados. No dia em que a Morte apareceu, ele e seus familiares vestiram as tais roupas e se esconderam no mercado.
Quando a Morte chegou, eles apareceram pulando, correndo e gritando com vozes inumanas, e ela, apavorada, fugiu deixando cair
seu cajado. Desde então a Morte deixou de atacar os habitantes de Ifé. Os babalawos (adivinhos e sacerdotes de Òrunmilá) disseram a
AmeiyÉgún que ele e seus familiares deveriam adorar e cultuar os mortos por todas as suas gerações, lembrando como eles venceram
a Morte. Égún é a terminação do nome de AmeiyÉgún, e é como hoje são conhecidos os ancestrais do seu clã (Égún ou Égúngún ).
É a vitória da vida pós-morte: como no mito em que a vida venceu a morte, da mesma forma os Égúns se apresentam, hoje, cobertos de
panos e portando um cajado.
Segundo a lenda yourubá…..
Havia na cidade do Oyó um fazendeiro chamado Alapini, que tinha três filhos chamados Ojéwuni, Ojésamni e Ojérinlo. Um dia Alapini foi
viajar e deixou recomendações aos filhos para que colhessem os inhames e os armazenassem, mas que não comessem um tipo
especial de inhame chamado ‘ihobia’, pois ele deixava as pessoas com uma terrível sede. Seus filhos ignoraram o aviso e o comeram
em demasia. Depois, beberam muita água e, um a um, acabaram todos morrendo.
Quando Alapini retornou, encontrou a desgraça em sua casa. Desesperado, correu ao babalawô, que jogou Ifá para ele. O sacerdote disse que ele se acalmasse, e que após o l7º dia fosse ao ribeirão do bosque e executasse o ritual que foi prescrito no jogo. Ele deveria escolher um galho da árvore sagrada àtòrì e fazer um bastão (assim é feito o ixan). Na margem do ribeirão, deveria bater com o bastão na terra e chamar pelos nomes dos seus filhos, que na terceira vez eles apareceriam. Mas ele também não poderia esquecer de antes fazer certos sacrifícios e oferendas. Assim ele o fez, seus filhos apareceram.
Mas eles tinham rostos e corpos estranhos, era então preciso cobrilos para que as pessoas pudessem vê-los sem se assustarem. Pediu
que seus filhos ficassem na floresta e voltou à cidade. Contou o fato ao povo, e as pessoas fizeram roupas para ele vestir seus filhos.
Deste dia em diante ele poderia ver e mostrar seus filhos a outras pessoas, as belas roupas que eles ganharam escondiam perfeitamente sua condição de mortos.
Alapini e seus filhos fizeram um pacto: em um buraco feito na terra pelo seu pai (ojubô), no mesmo local do primeiro encontro (igbo
igbalé), ali seriam feitas as oferendas e os sacrifícios e guardadas as roupas, para que eles as vestissem quando o pai os chamasse
através do ritual do bastão. Seguindo o pacto e as instruções do babalawo, de que sempre que os filhos morressem fosse realizado o
ritual após o l7º dia, pais e filhos para sempre se encontraram. E, para os filhos que ainda não tiverem roupas, é só pedir às pessoas
que elas as farão com imenso prazer.

Egungun,  espírito ancestral de pessoa importante, homenageado no Culto aos Eguns, esse culto é feito em casas separadas das casas dos Orixás.

A relação de Oyá com Egungun…..
550567_2969528851074_1647300767_2087635_618738192_n
Dentro do Lèsànyìn possui como um dos primeiros assentos fundamentais o de Oya Ìgbàlé, pois é ela que controla o mundo dos mortos, a qual em todas as festas do calendário litúrgico, oferendas e reverências lhe são prestados cujo ápice é o dia de finados no mês de novembro dedicado totalmente a ela, e a todos os seus filhos, os mortos.
Oya Ìgbàlé é no culto aos Égún a única e exclusiva Òrìsà feminina cultuada e venerada pela sociedade dos Égún, composta exclusivamente por homens que contém o segredo em comum da evocação dos Égún, e reverenciada pelos próprios Égún. Inúmeros são os mitos que estabelecem a relação de Oya Ìgbàlé com os Égún. No primeiro deles revela a origem de Égún como filho de Oya vinculando a seu tabu alimentar:
Oiá lamentava-se de não ter filhos. Esta triste situação era conseqüência da ignorância a respeito de suas proibições
alimentares. Embora a carne de cabra lhe fosse recomendada, ela comia a de carneiro. Oiá consultou um babalaô, que lhe revelou o
seu erro, aconselhando-a a fazer oferendas, entre as quais deveria haver um tecido vermelho. Este pano, mais tarde, haveria de servir
para confeccionar as vestimentas dos Égúngún.
Tendo comprido essa obrigação, Oiá tornou-se mãe de nove crianças, o que se exprime em ioruba pela frase: ‘’Iyá Omo mésàn’’,
origem de seu nome Iansã. Assim que a roupa de Égúngún foi criada, formou-se, em torno dessa ‘’novidade’’, uma sociedade
composta exclusivamente de mulheres com o objetivo de enfrentar a preponderância dos homens. Mas elas exageraram e aproveitaramse da confusão provocada pela aparição dos Égúngún, nas ruas da cidade, para enganar impunemente seus maridos. Estes, exasperados, conseguiram descobrir seu segredo, apoderaram-se da sociedade e reservaram-na aos homens, delas excluindo as
mulheres para sempre. (VERGER, 2002, p. 168 a 170)
O segundo o mito também revela a origem de Égún, mas como sendo o nono filho de Oya ressaltando todo o seu poderoso poder genitor:
Oía não podia ter filhos. Procurou o conselho de um babalaô. Ele revelou-lhe que somente teria filhos quando fosse possuída por um
homem com violência. Um dia Xangô a possuiu assim e dessa relação Oiá teve nove filhos. Desses filhos, oito nasceram mudos.
Oiá procurou novamente o babalaô. Ele recomendou que ela fizesse oferendas. Tempo depois nasceu um filho que não era mudo, mas
tinha uma voz estranha, rouca, profunda, cavernosa. Esse filho foi Égúngum, o antepassado que fundou cada família. Foi Égúngum, o
ancestral que fundou cada cidade. Hoje, quando Égúngum volta para dançar entre seus descendentes, usando suas ricas máscaras
e roupas coloridas, somente diante de uma mulher ele se curva. Somente diante de Oiá se curva Égúngum. (PRANDI, 2005, p. 309).
Portanto, este mito revela porque Oya Ìgbàlé é cultuada ao lado dos Égún, pois ela é a /senhora dos nove Òrun, simbolizados pelos nove filhos do mito dos quais os oitos primeiros representam os Àra-òrun, os habitantes do Òrun, e o nono representa os Égún vinculando
também a sua forma de falar característica. Oya Ìgbàlé também é herdeira do principio poder feminino, o segredo da gestação, da criação da vida, pertence à esfera do sangue vermelho, do àsé, que é à base de origem de Égún.
O terceiro mito descreve como Oya Ìgbàlé cria a sociedade dos Égún, e também as origens das roupas, a forma de falar rouca e cavernosa como o do macaco marrom da Nigéria, o Ijimeré (SANTOS, Deoscoredes M, 1981, p.183), de agir e de dominar os Égún, assim como o culto aos Égún e sua sociedade foram tomadas das mulheres pelos homens:
No começo do mundo, a mulher intimidava o homem desse tempo, e o manejava com o dedo mindinho. É por isso que Oya (conhecida
mais comumente nos cultos afro-brasileiros sob o nome de Iyansan) foi a primeira a inventar o segredo ou a maçonaria dos Égúngún
, sob todos os seus aspectos. Assim, quando as mulheres queriam humilhar seus maridos, reuniam-se numa encruzilhada sob a
direção de Iyasa. Ela já estava ali com um macaco que tinha domado, preparado com roupas apropriadas ao pé do tronco de um
igi, árvore, para ele fazer o que fosse determinado por Iyansan por meio de uma vara que ela segurava na mão, conhecida com o nome
de isan.
Depois de cerimônia especial, o macaco aparecia e desempenhava seu papel seguindo as ordens de Iyasan. Isso se dava diante dos
homens que fugiam aterrorizados por causa dessa aparição. Finalmente, um dia, os homens resolveram tomar providências para
acabar com a vergonha de viverem continuamente sob o domínio das mulheres. Decidiram então ir a Òrunmilá (deus do oráculo de
Ifá) a fim de consultar Ifá para saber que poderiam fazer para remediar uma tal situação.
Depois de ter consultado o oráculo, Òrunmilá lhes explicou tudo o que estava acontecendo e que eles deveriam fazer. Em seguida ele
mandou Ogun fazer uma oferenda, ebo, compreendendo galos, uma roupa, uma espada, um chapéu usado, na encruzilhada, ao pé da
referida árvore, antes que as mulheres se reunissem. Dito e feito, Ogun chegou bem cedo a encruzilhada e fez o preceito com os
galos de acordo com o que Òrunmilá ordenou. Em seguida, ele pôs a roupa, o chapéu e pegou a espada em sua mão. Mais tarde,
durante o dia, quando as mulheres chegaram e se reuniram para celebrar os ritos habituais, de repente, viram aparecer uma forma
terrificante. A aparição era tão terrível que a principal das mulheres, isto é, que estava a frente, Iyasan, foi a primeira a fugir. Graças a
força e poder que tinha, ela desapareceu para sempre da face da terra.
Assim, depois desta época, os homens dominaram as mulheres e são senhores absolutos do culto. Proibiram e proíbem sempre as
mulheres penetrar no segredo de toda a sociedade de tipo maçônico. Mas, segundo o provérbio, é a exceção que faz a regra,
os raros exemplos de sociedades secretas as quais eram autorizadas a participar em território Yorubá continuaram a existir
em circunstancias especiais. Isso explica por que Iyasan-Oya é adorada e venerada por todos na qualidade de Rainha e Fundadora
da Sociedade secreta dos Égúngún na terra. (SANTOS, Juana, 1998, p. 122 a 123).
Mas o cargo de detentora e senhora do mundo dos mortos e de todos os seus habitantes foi um presente dado por Obaluaê, filho de Nanã Buruku, e como tal o senhor original do mundo dos mortos, foi dado em sinal de gratidão a Oya pelos seus feitos durante as festas, o sirê dos Òrìsà, como conta os dois mitos seguintes:
Chegando de viagem a aldeia onde nascera, Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa coma presença de todos os Orixás.
Obaluaê não podia entrar na festa, devido a sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas fretas do terreiro. Ogum,
ao perceber a angustia do Orixá, cobriu-lhe com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria
dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo
do olho. Ela compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do
barracão. O xirê estava animado. Os Orixás dançavam alegremente com suas equedes. Iansã chegou então bem perto dele e soprou
suas roupas de mariô, levantando as palhas que cobriam suas pestilência. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de
Obaluaê pulavam para o alto, transformadas numa chuva de pipoca, que se espelharam brancas pelo barracão. Obaluaê, o deus das
doenças, transformou-se em um jovem, num jovem belo e encantador. Obaluaê e Iansã Igbalé tornaram-se grandes amigos e
reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os
homens. (PRANDI, 2005, p. 206).
Certa vez houve uma festa com todas as divindades presentes. Obaluaê chegou vestido seu capucho de palha. Ninguém o podia
reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele. Só Oiá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra. Tanto
girava Oiá na sua dança que provocava o vento. E o vento de Oiá levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê. Para a surpresa
de todos era um belo homem. O povo o aclamou por sua beleza. Obaluaê ficou mais que contente com a festa, ficou grato. E, em
recompensa, dividiu com ela o seu reino. Fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos, Rainha que é Oiá Igbalé, a condutora dos
Égúns. Oiá então dançou e dançou de alegria. Para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dança agora, agita no ar o
inruquerê, o espanta-mosca com que afasta os Égúns para o outro mundo. Rainha Oiá Igbalé, a condutora dos espíritos. Rainha que foi
sempre a grande paixão de Omulu. (PRANDI, 2005, p. 308).
No Lèsànyìn encontram-se os dois elementos litúrgicos essenciais do culto: assentos individuais e específicos de cada Égún Àgbà, os Égún mais antigos, devidamente preparados para serem invocados individualmente, pois foram realizados e compridos todos
os rituais de preparação para a sua invocação antes da morte do Ojé Àgbá e durante os sete anos após o falecimento deles, que será o novo Égún a ser cultuado; e o assento que é a representação coletiva dos ancestrais, de todos os mortos, os òku-òrun, o chamado Òpá-
Kòko. Os assentos individuais dos Égún Àgbá do Lèsànyìn são assim descritos:
Os assentos individuais dos Égún são continentes de barro com larga boca que contém uma mistura de barro e àse, de folhas e
outros elementos, especifica para cada Égún que enche totalmente o interior, transbordando do recipiente, formando um montículo
incrustados de cauris. Esses ‘’assentos’’ individuais estão dispostos sobre um banco feito de terra, baixo e estreito, chamado pepele.
(SANTOS, Juana, 1998, p. 203).
No Brasil  o  principal  culto à Egungun é praticado na Ilha de Itaparica  no estado da Bahia  mas existem casas em outros estados brasileiros.
Normalmente chamado de Babá (pai) Egun, Babá-Egun. Também pode ser referido como Êssa nome dos ancestrais fundadores do Aramefá de Oxossi  (conselho de Oxóssi, composto de seis pessoas). Ou Esa espírito dos adoxu e dignitários do egbe (casa).
Os nagôs, cultuam os espíritos dos mais velhos de diversas formas, de acordo com a hierarquia  que tiveram dentro da comunidade e com a sua atuação em pról da preservação e da transmissão dos valores culturais. E só os espíritos especialmente preparados para serem invocados e materializados  é que recebem o nome EgunEgungunBabá Egun ou simplesmente Babá (pai), sendo objeto desse culto todo especial.
Porque o objetivo principal do Culto dos Egun é tornar visível os espíritos dos ancetrais, agindo como uma ponte, um veículo, um elo entre os vivos e seus antepassados. E ao mesmo tempo que mantém a continuidade entre a vida e a morte, o culto mantém estrito controle das relações entre os vivos e mortos, estabelecendo uma distinção bem clara entre os dois mundos: o dos vivos e o dos mortos (os dois níveis da existência).
BABA-EGUN
Assim, os Babá trazem para seus descendentes e fiéis suas bênçãos e seus conselhos mas não podem ser tocados, e ficam sempre isolados dos vivos. Suas presença é rigorosamente controlada pelos Ojé  (sacerdotes do culto) e ninguém pode se aproximar deles.
Os Egungun se materializam, aparecendo para os descendentes e fiéis de uma forma espetacular, em meio a grandes cerimônias e festas, com vestes muito ricas e coloridas, com símbolos característicos que permitem estabelecer sua hierarquia.
Os Babá Egun ou Egun Agbá (os ancestrais mais antigos) se destacam por estar cobertos com uma roupa específica do Egun — chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia,  são enfeitadas com búzios, espelhos e contas e por um conjunto de tiras de pano bordadas e enfeitadas que é chamado Abalá, além de uma espécie de avental chamado Bantê, e por emitirem uma voz característica, gutural ou muito fina.
Os Aparaká são Egun mais jovens: não têm Abalá nem Bantê e nem uma forma definida; e são ainda mudos e sem identidade revelada, pois ainda não se sabe quem foram em vida.
Acredita-se, então, que sob as tiras de pano encontra-se um ancestral conhecido ou, se ele não é reconhecível, qualquer coisa associada à morte. Neste último caso, o Egungun representa ancestrais coletivos que simbolizam conceitos morais e são os mais respeitados e temidos entre todos os Egungun, guardiães que são da ética e da disciplina moral do grupo.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

26 Julho - Salve Nana Buruku


NANA BURUKU



Nanã Buruku (ou NanãNanã BulukuNanã BuruNanã BoroucouNanã BorodoAnamburucuNanã Borutu), é um nome pertinente a um vodun e orixá das chuvas, dos mangues, do pântano, da lama (barro molhado), senhora da Morte, e responsável pelos portais de entrada (reencarnação) e saída (desencarne). Identificado no jogo do merindilogun pelos odu ejilobon e representado materialmente pelo candomblé através do assentamento sagrado denominado igba nanã.

África


Assentamento de Nanã - No candomblé do Ile Ase Ijino Ilu Orossi.
Em sua passagem pela Terra, foi a primeira Iyabá e a mais vaidosa, em nome da qual desprezou seu filho primogênito com OxaláOmolu, por ter nascido com várias doenças de pele. Não admitindo cuidar de uma criança assim, acabou abandonando-o numa praiaIemanjá o achou abandonado, quase morrendo e o curou e o criou como se fosse sua mãe, dando todo o amor e carinho. Sabendo do que Nanã fez, Oxalá condenou-a a ter mais filhos, os quais nasceriam anormais (OxumarêEwá e Ossaim), e a expulsou do reino, ordenando-lhe que fosse viver num pântano escuro e sombrio, lugar onde pensou em abandonar seu pobre filho, mas desistiu, pois na praia seu filho morreria mais rápido.
Nanã é dona de um cajado, o ibiri. Suas roupas parecem banhadas em sangue, Orixá das águas paradas que mata de repente, ela mata uma cabra sem usar faca. É considerada o Orixá mais antigo do mundo. Quando Orunmilá chegou aqui para frutificar a terra, ela aqui já estava. Nanã desconhece o ferro por se tratar de um Orixá da pré-história, anterior à idade do ferro. O termo "nanan" significa raiz, aquela que se encontra no centro da terra. Nanã tornou-se uma das Iyabás mais temidas, tanto que em algumas tribos quando seu nome era pronunciado todos se jogavam ao chão. Senhora das doenças cancerígenas, está sempre ao lado do seu filho Omolu. Protetora dos idosos, desabrigados, doentes e deficientes visuais. É um vodun, segundo alguns pesquisadores, originário de Dassa-Zoumé, é uma velha divindade das águasPierre Verger encontrou um Templo Dassa-Zoumé e o sacerdote do seu culto.
A área que abrange seu culto é muito vasta e parece estender-se de leste, além do rio Níger, até a região Tapá, a oeste, além do rio Volta, nas regiões dos "guang", ao nordeste dos Ashanti.
Entre os fon e mahi ela é considerada uma divindade hermafrodita, anterior a Mawu e Lissá, aos quais teria dado origem em associação com a "serpente do Universo" Dan Aido Hwedo. Para os ewes e minas, ela é às vezes vista como um vodun masculino (Nana Densu), esposo da grande mãe das águas Mami Wata.

Brasil

Nanã Buruku é cultuada no Candomblé Jeje como um vodun e no Candomblé Ketu como um orixá da chuva, das águas paradas, mangue, pântano, terra molhada, lama e considerada a mãe dos orixás Obaluaiyê, Iroko, Osanyin, Oxumarê e Yewá.

Nanã é chamada carinhosamente de "Avó", por ser usualmente imaginada como uma anciã. É cultuada em todo o Brasil nas religiões Afro-brasileiras. Seu emblema é o Ibiri que caracteriza sua relação com os espíritos ancestrais. Como "Mãe-Terra Primordial" dos grãos e dos mortos, Nanã Buruku poderia ser equiparada à deusa greco-romana Deméter-Ceres-Cíbele.
A existência do culto de Nanã Buruku é atribuída a tempos remotos, anteriores à descoberta do ferro, por isso, em seus rituais, não costumam ser utilizados objetos cortantes de metal.
baobá ("Adansonia digitata L.", em iorubá ossê e em Fon akpassatin) é sua árvore sagrada.
No sincretismo afro-católico, Nanã Boroquê, como é chamada na Umbanda, é equiparada à Sant'Ana.
Nanã no Batuque - RS: Nanã no Batuque (Religião Afro-Gaúcha) é a Iemanjá mais velha de todas, embora não seja Iemanjá.

Arquétipo

São conservadores e presos aos padrões convencionais estabelecidos pelos homens. Passam aos outros a aparência de serem calmos, mudando rapidamente de comportamento, tornando-se guerreiros e agressivos; quando então, podem ser perigosos, o que assusta as pessoas. Levam seu ponto de vista às últimas conseqüências, tornando teimosia. Quando mãe, são apegadas aos filhos e muito protetoras. São ciumentas e possessivas. Exigem atenção e respeito, são pouco alegre e não gostam de muita brincadeiras. Os filhos deste grande Orixá são majestosos e seguros nas ações e procuram sempre o caminho da sabedoria e da justiça.

Qualidade de Nanã

Nana Buruku.jpg

  • Igbayin
  • Buruku
  • Igbónán
  • Asayio
  • Asanan
  • Insele
  • Tinoloko
  • Ajaosi
  • Ìkure
Dia: sábado Data: 26 de Julho (dia dos avós no Brasil) Metal: Latão Cores: Branco e azul ou preto e roxo Comidas: Aberém, mugunzá, mostarda e taioba Símbolos: Ibiri e bradjá Elementos: Águas paradas e lamacentas Região da África: Ex-Daomé Pedra: Ametista Folhas: Folha-da-costa, folha de mostarda, manacá, ojú oro, oxibatá, papoula roxa, quarana Odu que Rege: Odilobá Domínios: Vida e morte, saúde e maternidade Saudação: Salúba!

As lendas de Nanã

Afirma-se que Nanã era a rainha de um povo e que tinha poder sobre os mortos. Para roubar esse poder, Oxalá desposou-a, mas não ligava para ela. Nanã, então, fez um feitiço para ter um filho. Tudo aconteceu como ela queria mas, por causa do feitiço, o filho, Omolu nasceu todo deformado. Horrorizada, Nanã jogou-o no mar para que morresse. Como castigo pela crueldade, quando Nanã engravidou de novo, Orunmilá disse que o filho seria lindo mas se afastaria dela para correr mundo. Assim, nasceu Oxumaré, que durante seis meses do ano vive no céu como o arco-íris, e nos outros seis é uma cobra que se arrasta no chão.


Em outra lenda, conta-se que, na aldeia chefiada por Nanã, quando alguém cometia um crime, era amarrado a uma árvore. Nanã então chamava os Eguns para assustá-lo. Ambicionando esse poder, Oxalá foi visitar Nanã e deu-lhe uma poção que fez com que ela se apaixonasse por ele. Nanã dividiu o reino com ele, mas proibiu a sua entrada no Jardim dos Eguns. Oxalá então espionou-a e aprendeu o ritual de invocação dos mortos. Depois, disfarçando-se de mulher com as roupas de Nanã, foi ao jardim e ordenou aos Eguns que obedecessem "ao homem que vivia com ela" (ele mesmo). Quando Nanã descobriu o golpe, quis reagir mas, como estava apaixonada, acabou aceitando deixar o poder com o marido. Hoje no Culto aos Egungun só os homens são iniciados para invocar os Eguns.


Uma terceira lenda refere que, certa vez, os Orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o mais importante. A maioria apontava Ogum, considerando que ele é o Orixá do ferro, o que deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de guerra, dos instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso doméstico e ritual. Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não era tão importante assim, torceu com as próprias mãos o pescoço dos animais destinados ao sacrifício em seu ritual. É por isso que os sacrifícios para Nanã não podem ser feitos com instrumentos de metal..
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...